Problemas Frequentes no PC e Soluções
Alguns problemas no micro são relativamente fáceis de se resolver não precisando a intervenção de um técnico de informática (veja bem só alguns) pensando nisso resolvi postar esse material que encontrei no fórum do sogratis (nos fórum você pode encontrar praticamente tudo) e que pode ser de grande ajuda para quem está tendo ou já teve problemas com o micro então leia e guarde pois você poderá precisar algum dia.
Problema mais freqüentes em PC e suas soluções:
1. Fonte.
Danos:
Instabilidades nas tensões de saídas afetando completamente o micro geralmente fruto de falha em seus componentes, instabilidade na tensão de entrada (rede elétrica) ou potência inadequada aos componentes do micro. Gera falha na inicialização (micro não liga ou liga e desliga) ou desligamentos aleatórios.
Possível solução:
A primeira coisa a se fazer é verificar a rede elétrica onde o micro está conectado para isso contrate um profissional qualificado, providenciar um aterramento para esta tomada, uso de nobreaks ou estabilizadores de qualidade (núcleo isolado) e evitar filtros de linha. Próximo passo é a troca da fonte do micro e verificar de sua potência se enquadra aos componentes do seu micro.
2. Aquecimento.
Danos:
Resets, desligamentos e travamentos aleatórios, erros na execução do Sistema Operacional (tela azul etc) além do risco de perda do processador (queima).
Possível solução:
Dispor os cabos flats e de energia de uma forma que fique um espaço livre para a movimentação do ar no interior do gabinete. Troca da pasta térmica do processador de tempos em tempos e checagem da ventoinha do cooler e, se for o caso, trocando-o por um de melhor dissipação térmica. Instalação de coolers adicionais no gabinete para uma melhor movimentação do ar interno.
Para monitorar a temperatura do processador você poderá utilizar o próprio Setup para isto ou softwares via Windows como o SpeedFan ou Everest. Neste site você encontrará a temperatura máxima suportada por cada processador.
3. Memória.
Danos:
Resets aleatórios, erros durante a execução do SO, bips contínuos quando o micro não "liga".
Possível solução:
Quando o micro não liga e fica com bips contínuos poderá ser defeito no módulo de memória e neste caso somente a troca e testes com outro. Caso o micro inicie, utilize
o MEMTEST ou o Pc-Check para verificar se existem erros nos endereços da memória, se houver será necessário também a troca.
4. Hard Disk. ( o famoso disco rígido, HD ou winchester)
Danos:
Perda de dados e no meu ver a pior de todas as catástrofes.
Possível solução:
Quando começam a ocorrer bad blocks no HD é necessária uma análise do que poderá estar ocasionando isto, variações bruscas na tensão de entrada na fonte, falha no sistema de arquivos do HD (muitos resets ou falha no processo de gravação) ou defeito do próprio HD. Neste caso se os bad blocks forem lógicos é possível "corrigí-los" efetuando um LOW LEVEL FORMAT e consequentemente um nova instalação. Existem softwares que recuperam (ou pelo menos tentam) dados em áreas defeituosas como o HD REGENERATOR. Caso o o bad seja físico não existe possibilidade de recuperação do cluster apenas um modo de driblar isto mas é arriscado, é necessário saber em que ponto estão os bads e, com softwares adequados para isto, isolar esta área criando alí uma partição extendida e utilizando o restante do HD como partição lógica ativa. Quando o defeito é no motor ou agulha de leitura para um usuário final não existem mais meios somente recorrendo a empresas de recuperação de dados.
Uma dica, fique de olho nos parâmetros do SMART para saber como anda a saúde do seu HD!
5. Placas de vídeo
Danos:
Travamentos (principalmente quando executados jogos), riscos na tela ou, quando o micro não inicia, bips 3 curtos seguido de um espaço de tempo ou 1 longo seguido de 3 curtos são frutos de falha na placa de vídeo. Devido a sua grande integração com o software (somente funciona de estiver rodando num SO) é dificíl de detectar a conseqüência de seu defeito somente após muita análise.
Possível solução:
Testes com outra placa de vídeo ou substituição direta. É recomendado testá-la em outro micro pois o defeito poderá ser no slot de conexão da placa-mãe.
Aconselha-se manter sempre atualizado os drivers de sua placa de vídeo e chipset juntamente com o DirectX.
6. Processador.
Danos:
Micro não liga, "congela" após algum tempo ou reinicia. Erros de instrução são comuns também.
Possível solução: Neste caso somente efetuando a troca do processador. Um software interessante para se testar o processador é o SuperPI.
7. BIOS
Danos:
Falha na identificação do modelo do processador, erros diversos que são corrigidos pelos
fabricantes de placas mãe.
Possível solução:
Atualização do BIOS. Se o defeito for no chip poderá ser feita a troca do mesmo.
8. Placa mãe.
Danos:
Na maioria das vezes o micro não liga ou se já foi testada todas as peças e nada do defeito aparecer.
Possível solução:
Existe possibilidade de recuperação para placas mãe com falha em seus
componentes como capacitores, resistores smd, troca soquete da bateria, circuito RAM cmos e real time clock (geramente relacionado a baterias que não seguram carga), recuperação de trilhas etc... e somente deverá ser feito por um técnico em hardware e/ou eletrônica especializado.
Um fato interessante sobre placas mãe é que algumas delas acumulam carga em seus componentes (capacitores eletrolíticos) e do nada "morrem", algumas chegam a acionar os coolers mas nada de ligar. Uma possível solução é o " curto de hardman" onde a placa é enrolada em papel alumínio por completo para descarregar totalmente e depois, na maioria dos casos, volta a funcionar. É claro isto só é feito em último caso onde todos os outros recursos já se esgotaram.
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
terça-feira, 10 de abril de 2007
Marines apontaram seus fuzis
O dia em que os marines americanos apontaram seus fuzis pra mim
Mais um Caso Gump.
Eu pai ganhou uma grana num trabalho que ele fez e nós ( Eu, meu pai, minha mãe, meu irmão e minha tia, e alguns dias depois, minha esposa) havíamos viajado para os Estados Unidos.
Fomos fazer um "Tour do Dudu" pela costa oeste dos EUA. Típico passeio burguês.
Viajamos por uma semana, passando por várias cidades dos Estados Unidos até que fomos para a Califórnia. Ficamos em Los Angeles, onde passeamos bastante. Num daqueles dias, comendo sanduíche na beira da estrada meu pai vira pra meu irmão e pergunta:
- André, você gostaria de morar aqui?
-Claro.
- Então por que não fica?
Eu pensei que era uma brincadeira, mas rapidamente me toquei que era verdade. Meus pais são meio incomuns.
Pouco tempo depois estávamos passeando de carro com um objetivo. Encontrar uma escola de inglês para largarmos o meu irmão lá. Assim, sem mais nem menos. No improviso. Como convém ao "Tour do Dudu."
Contrariando a lógica racional, achamos uma puta escola de inglês com excelentes acomodações na - não menos sensacional cidade de San Raphael, do outro lado da Baía de São Francisco.
O lugar havia sido escolhido com critérios militares. Tática pura, afinal ali é o "core" do mundo da computação gráfica. Ali estão as empresas que consomem caras como eu e o meu irmão André. Empresas como a ILM.
O tal do curso de inglês era um lugar idílico, como as grandes universidades americanas, com árvores centenárias e paredes cobertas de hera. No saguão todo de madeira, um piano de cauda.
Pensei com meus botões: Essa merda vai sair meio cara.
Meu irmão e meu pai subiram para falar com o reitor. Me parecia óbvio que não iriam aceitar assim um sujeito que chega de uma hora para outra pedindo pra estudar lá. Afinal, é um país de primeiro mundo, onde as coisas devem ser combinadas e organizadas com antecedê...
-Meus pensamentos foram por água abaixo quando meu irmão e meu pai descem as escadas saltitantes. Ele ia estudar lá. O diretor aceitou na hora, fez meia dúzia de perguntas, deu um formulário pra ele assinar e levou o garoto para ver seu alojamento com vista para o bosque.
Como se isso não bastasse, o André foi até um banco, que ficava algumas ruas abaixo e abriu uma conta.
Isso mesmo, abriu uma conta num banco dos Estados Unidos sem nenhum puto! Sem nenhum documento. Sem nada assinado, carimbado em duas vias. Sem absolutamente nada. Só com um papel emitido pelo coroa do curso de inglês que ele conheceu a menos de 15 minutos. Meia hora depois de chegarmos a San Raphael, meu irmão já era um morador dos Estados Unidos com talão de cheques e tudo mais.
Daí em diante, dedicamos o tempo a buscar roupas pra ele poder ficar lá por um ano e algum conforto.
Entenda conforto como "NOTEBOOK ultra-mega-possante". E também um forno de microondas. Não sei de quem foi a idéia do microondas. Mas parecia fazer sentido uma vez que ele iria ficar num quarto sem cozinha. Pelo menos miojo ele poderia fazer.
Compramos numa daquelas grandes redes de supermercados que vendem de armas de guerra a absorventes íntimos com luzinhas made in Ucraine.
Íamos comprar um pequeno e portátil, mas logo na hora de pagar, vimos que havia uma montanha de caixas e elas eram de um microondas enorme, estilo North America, onde a fartura é sinônimo de felicidade.
E além de ser gigante, estava na promoção!
Compramos aquilo tudo e enfiamos como pudemos no carro. Era uma quantidade de tralha que vocês não podem imaginar.
Compramos comidas, varias latas de sopinhas. Etc. O André parecia que ia para o Pólo Sul... Minto. Parecia que ia pra Marte, de tantos equipamentos e mantimentos.
Levamos aquilo lá pra escola de inglês e qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que nem as sopinhas, nem os miojos, e o pior, nem o microondas podia entrar lá.
Deixamos o André super feliz no curso de inglês. Eu sabia que aquela poderia ser a última vez em alguns anos que eu iria ver o meu irmão. Pelo menos daquele jeito que ele era. Morar fora foi muito bom para o amadurecimento dele. De uma certa forma eu estava certo e quando tornei a vê-lo, dois anos e alguns meses depois, ele já era outra pessoa, com muito mais experiência de vida.
Mas naquele dia foi barra pesada. A ficha da minha mãe caiu quando viramos a esquina. Não havia nenhuma palavra no carro. Estávamos em silêncio. Durante um tempo tudo que ouvíamos eram os suspiros da minha mãe.
Andamos uns três km em silêncio. Apenas havia o barulho da rua e do motor. Todos nós pensávamos naquilo tudo. Naquela doideira de largar um membro da expedição em outro país. Minha mãe deve ter fantasiado de alguma forma a perda de um filho, porque ela chorou horas e horas seguidas.
Eu tentei colocar uma musica feliz no radio do carro, mas nessas horas tudo que toca parece trilha sonora de filme feita especialmente pro espectador chorar. Até rap.
Voltamos para Los Angeles e lentamente fomos nos distraindo da falta do André. Sempre que minha mãe dava uma recaída e abria o bocão a chorar, nós consolávamos que seria bom pra ele, que ele ia voltar falando inglês daqui a uns meses, que um ano passa rápido e etc. E ela diminuía o choro. Mas no fundo no fundo, todo mundo queria dar uma choradinha.
De volta a Los Angeles, não achávamos hotel. Parecia que nossa sorte miraculosa havia descido do carro junto com o André. Todos os lugares estavam lotados. Não achávamos hotel.
Acabamos encontrando um num lugar super privilegiado. No centro de Hollywood.
Era Hollywood Boulevard. Uma rua famosa por ser a “calçada da fama” de dia, e a “calçada das putas” de noite.
Este hotel que era a poucos metros do grande teatro chinês, não me pareceu um lugar digamos, muito familiar a princípio. O quarto tinha um cheiro de cigarro com bebida no carpete vermelho. Aliás, como os americanos gostam de carpete, né?
O problema nem era o cheiro. Era o Humphrey Bogart.
Ele ficou a noite toda olhando pra mim.
Havia na parede bem em cima da minha cama uma pintura de gosto super duvidoso, onde estava o Humphrey Bogart, o Charles Chaplin e um travesti, que só no dia seguinte entendi que era a Marilyn Monroe.
O Bogart estava com um olhar de cahaceiro assassino e aquele olho maldito não saía da minha direção. Custei a dormir. A noite, só ouvíamos barulhos de carros em alta velocidade, gritos e carros de polícia. Foi dureza.
Quando amanheceu, meu pai estava com aquele peculiar bom humor que incomoda todo mundo. Era nosso último dia. O vôo seria à tarde. Às cinco horas.
Tomamos café na espelunca, digo, no hotel e meu pai teve a brilhante idéia de comprar um palmtop, uma novidade, "o último arroto da moda geek" naquele tempo.
Ele achou um superbarato numa propaganda de loja de eletrônicos em Hollywood que estava num jornal do saguão. Resolvemos comprá-lo.
A idéia de ir até uma loja da Fry´s é sempre bem vinda para nerds como eu. Me sinto bem a vontade em grandes magazines de eletrônicos, como a CompUSA.
O problema é que este lugar era LONGE PRA CARALHO!
Andamos, andamos, atravessamos centenas de avenidas. E nada da porra da loja chegar.
Quando finalmente chegou, já era meio dia.
Entramos e começa a feira consumista desmedida. Lá pelas tantas, meu pai finalmente acha a área dos palmtops. Ele pega o palmtop, olha bem pra ele e diz:
- Ah, isso é coisa de boiola! Não vou comprar isso não.
Essa hora foi cômica. Como alguém atravessa metade de uma cidade tão inutilmente, meu Deus? Pra se ter uma idéia, é algo como ir de Petrópolis até a Barra da Tijuca pra chegar a conclusão que o troço é coisa de boiola.
Pois foi isso que aconteceu. Ele olhou bem no naipe do palm e achou aquilo coisa de baitola. Fomos almoçar e então resolvemos voltar. Eu olhei no relógio e as contas não estavam batendo. Aparentemente, levamos mais tempo para chegar no palm boiola do que teríamos para voltar e pegar o avião. O vôo era às cinco da tarde, o que implicava em fazer check in precisamente as três e meia. Mas eram duas e meia da tarde e nós estávamos milhas e milhas distantes do aeroporto. Pra variar, perdidos.
Nós tínhamos um mapa que era feito um caderno em espiral. Quando eu olhei no mapa, estávamos a seis páginas do aeroporto. Consegui depois de muito custo encontrar uma avenida reta que ia até a beira do aeroporto.
Todo mundo começou a ficar nervoso. O tempo estava contra nós.
A hora foi passando e a gente não saía da segunda página do mapa. Toda hora alguém me perguntava se ainda faltava muito.
Pra não desanimar o pessoal nem causar pânico, eu dizia que “estava chegando”.
Repeti isso tantas vezes, que virou um bordão. Todos nós começamos a ficar nervosos quando meu pai começou a ficar nervoso.
Se meu pai que é o cara mais descansado do mundo com horário começa a se desesperar, é porque já passou da fase “ferrou” há muito tempo.
Eu mostrei pra ele o que ainda faltava e meu pai virou o “senhor volante”.
Já viu Velozes e Furiosos? Meu pai saiu dirigindo daquele jeito com um carro cheio de gente e tralhas. E com um belo microondas novinho.
Lá pelas tantas, em meio ao sufoco, a minha tia começou a rezar no banco de trás.
A hora passava. Cada segundo era precioso. A Nivea ficou muda. Dali a uns minutos minha mãe também começa a rezar.
Meu pai começou a costurar no trânsito até que chegamos numa das coisas mais comuns em Los Angeles. O pitoresco engarrafamento.
Se você acha que em São Paulo tem engarrafamento, é porque não conhece Los Angeles, a maior cidade de um estado que tem mais carros do que todo o Brasil.
Era um puto dum engarrafamentão. Bem na hora do perrengue. Nunca detestei tanto um palmtop de boiola quanto naquele dia.
Meu pai nem se apertou. Entrou com tudo pelo acostamento.
Quando digo que ele “entrou com tudo” quero dizer que ele não freiou. Andamos a mais de 100 km/h pelo acostamento, tirando fininhos de milhares de carros caríssimos. Metade deles buzinava de susto. A roda do nosso carro devia estar passando a menos de três centímetros do guardrail. Nós todos sem respirar dentro do carro, víamos meu pai dirigindo como a encarnação do Ayrton Senna misturada com o Nigel Mansell e o Fanjo.
O perrengue era grande. E acredite se puder, chegamos faltando poucos minutos para encerrar o check in. Mas havia um problema, como entregar o carro da empresa de aluguel de carros Hertz?
Descarregamos tudo como deu. ( isso quer dizer, jogamos as malas pra fora da minivan de qualquer maneira) Eram malas que não acabavam mais. Metade delas de muamba. Até uma espada eu comprei.
Mas a recordista em compras era minha tia, com um monte de malas. Uma das malas era só de presentes para o cachorro dela.
E as comidas? Pensando em deixar umas coisas pro André que não puderam entrar, acabamos com sacos de cereja, uvas, um saco gigante de uns 5 kg de maçãs, que meu pai jurou que íamos comer, e não comeu nem uma sequer, enfim.
Noso carro tinha tanto badulaque, que havia dois dias que eu não conseguia fazer a barba, uma vez que nem sabia onde tinha ido parar as lâminas. ( eu comprei espuma e uma caixa enorme de lâminas de barbear)
Era peso morto que não acabava mais.
Jogamos tudo pra fora do carro e corremos com o carro para a Hertz.
Orientamos a Nivea, a minha mãe e a minha tia, pra irem fazendo o check in. Como só minha tia falava um inglês meio macarrônico, nós sabíamos que isso distrairia o processo de check in a ponto de conseguirmos chegar de volta da Hertz.
Corremos como uma bala para a Hertz e parecia que a sorte estava do nosso lado. Entregamos o carro ainda cheio de comida.
Do lado de fora, dois caras conversavam. Eu perguntei a eles sobre o ônibus e um deles era o motorista. Ele disse que o ônibus só sairia em vinte minutos para o aeroporto.
Eu quase tive um infarto. Em vinte minutos era para estarmos no avião voando.
Falei com ele e mostrei o bilhete. Aí quem quase teve um infarto foi ele.
O cara falou algumas coisas pelo rádio e nos jogou pra dentro do ônibus.
Ele também dirigiu feito um maluco e conseguimos chegar como planejamos no balcão de check in.
Quando chegamos no check in, descobrimos mais um perrengue.
Havia mala demais. Era excesso de bagagem. Meu pai tentou resolver a situação numa das cenas mais engraçadas da viagem.
Ele virou pro cara do balcão e apontou para o microondas e depois pra ele e disse:
TO YOU! – Gift!
O cara arregalou os olhos e só dizia:
No, no, no, no....
E meu pai: Gift, to you, to you.
O cara não aceitou, o microondas de presente, obviamente. O problema é que pagar excesso de bagagem era mais caro que o preço daquela merda.
Tivemos que resolver a situação porque já tinha apitado a última chamada. Meu pai combinou de dividir o prejú do excesso de bagagem do microondas com a irmã dele e entramos. Aí chegamos naquela unidade de segurança. Passa as bagagens de mão no raio X, abre a calça, tira o sapato. Um calorão do caramba. Eu suando em bicas.
Os atentados de 11 de setembro haviam acontecido havia pouco tempo e eles estavam paranóicos com atentados terroristas.
Isso explica por que o cara arregalou os olhos ao ver um gringo com cara de turco dando um microondas novinho pra ele no aeroporto. Muito surreal.
Passamos as bagagens e corremos para o portão.
Havia uma mulher com cara de sargenta alemã nazista da segunda guerra, que era a responsável pelo vôo. Ela gritava e acenava para entrarmos logo no avião. Nisso, o vôo já estava com alguns minutos de atraso por nossa causa.
A moça aflita da companhia já estava fechando o portão.
Então eu olho e cadê a minha mãe? Nada. Não estava em nenhum lugar. Foi quando eu voltei e ao longe, vi minha mãe chorando no balcão de raio X.
Saí do avião e a sargenta gordona tentou me impedir. Eu dei um empurrão nela e ela quase caiu sentada. Começou a gritar comigo. Eu comecei a gritar com ela em português.
- Vai se foder sua vaca! - Com o dedo na cara dela. Ela meio que se cagou. E eu saí correndo pra encontrar minha mãe.
Ela queria fechar a porta do avião, mas minha mãe ia ficar pra fora. Minha mãe não fala nada de inglês.
Corri até lá deixando a gorda aos berros para trás.
Cheguei até o raio X e minha mãe estava desesperada procurando a bolsa.
Eu disse:
-Mãe, meu pai deve ter levado. Vamos embora. Agarrei ela pelo braço e saímos correndo.
Estavamos correndo feito loucos. Aí dispara um alarme. Naturalmente alguém da segurança viu uma movimentação estranha em um vôo, alguém empurrando a chefe de operações, pessoas correndo e gritaria e disparou o alarme de perigo.
Nisso, vieram os marines americanos de roupa camuflada e capacete armados com fuzis. Eram uns cinco com as armas apontadas na minha cabeça. Eu pensei sériamente que tinha chegado a hora de morrer num belo incidente internacional.
Eu parei na hora e digamos que no “brioco não passava nem uma leve brisa”.
Aí a sargenta apareceu. Ela pegou a minha mãe pelo braço e falou alguma coisa com os militares. Eles abaixaram as armas e ela nos jogou com toda delicadeza que só uma sargenta da SS em Auschwitz é capaz de fazer, pra dentro do avião e bateu a porta.
Aí vem uma das situações mais engraçadas da minha vida. Olhar para os passageiros. Todos eles sentados. Alguns com a cabeça entre as pernas.
Todo mundo SE CAGANDO DE MEDO de ser um atentado terrorista.
Aí me toquei da minha aparência. Barba por fazer. Olheiras, expressão de cansaço e medo. Cabelo desengonçado, suado... Eu era o protótipo do terrorista implantado pela mídia no inconsciente coletivo.
Imagina, você pega um avião tranqüilamente e ele começa a atrasar. Então acontece uma gritaria. Ninguém te dá informação. Dispara um alarme. Você pensa: “Fudeu. È o Osama!!!”
Fomos até nossos lugares e finalmente relaxamos. Minha mãe abriu a boca a chorar.
Ela chorava tão copiosamente, pelo meu irmão, pelo perrengue da volta ao aeroporto, pelo jeito que meu pai dirigiu, pelos soldados com fuzis apontados para nós, que meu pai teve que pegar o cobertorzinho que entregam no vôo e colocou na cabeça dela pra evitar de incomodar os passageiros.
Eu tenho certeza que um coroa que estava na primeira poltrona da fila do lado estava certo de que éramos terroristas, porque ele não desgrudou os olhos esbugalhados de pavor nem um segundo de nós. Eu acho que ele estava pensando que minha mãe era uma terrorista que estava se recusando a morrer na explosão do avião.
Este foi o Tour do Dudu voltando da Califórnia.
Mais um Caso Gump.
Eu pai ganhou uma grana num trabalho que ele fez e nós ( Eu, meu pai, minha mãe, meu irmão e minha tia, e alguns dias depois, minha esposa) havíamos viajado para os Estados Unidos.
Fomos fazer um "Tour do Dudu" pela costa oeste dos EUA. Típico passeio burguês.
Viajamos por uma semana, passando por várias cidades dos Estados Unidos até que fomos para a Califórnia. Ficamos em Los Angeles, onde passeamos bastante. Num daqueles dias, comendo sanduíche na beira da estrada meu pai vira pra meu irmão e pergunta:
- André, você gostaria de morar aqui?
-Claro.
- Então por que não fica?
Eu pensei que era uma brincadeira, mas rapidamente me toquei que era verdade. Meus pais são meio incomuns.
Pouco tempo depois estávamos passeando de carro com um objetivo. Encontrar uma escola de inglês para largarmos o meu irmão lá. Assim, sem mais nem menos. No improviso. Como convém ao "Tour do Dudu."
Contrariando a lógica racional, achamos uma puta escola de inglês com excelentes acomodações na - não menos sensacional cidade de San Raphael, do outro lado da Baía de São Francisco.
O lugar havia sido escolhido com critérios militares. Tática pura, afinal ali é o "core" do mundo da computação gráfica. Ali estão as empresas que consomem caras como eu e o meu irmão André. Empresas como a ILM.
O tal do curso de inglês era um lugar idílico, como as grandes universidades americanas, com árvores centenárias e paredes cobertas de hera. No saguão todo de madeira, um piano de cauda.
Pensei com meus botões: Essa merda vai sair meio cara.
Meu irmão e meu pai subiram para falar com o reitor. Me parecia óbvio que não iriam aceitar assim um sujeito que chega de uma hora para outra pedindo pra estudar lá. Afinal, é um país de primeiro mundo, onde as coisas devem ser combinadas e organizadas com antecedê...
-Meus pensamentos foram por água abaixo quando meu irmão e meu pai descem as escadas saltitantes. Ele ia estudar lá. O diretor aceitou na hora, fez meia dúzia de perguntas, deu um formulário pra ele assinar e levou o garoto para ver seu alojamento com vista para o bosque.
Como se isso não bastasse, o André foi até um banco, que ficava algumas ruas abaixo e abriu uma conta.
Isso mesmo, abriu uma conta num banco dos Estados Unidos sem nenhum puto! Sem nenhum documento. Sem nada assinado, carimbado em duas vias. Sem absolutamente nada. Só com um papel emitido pelo coroa do curso de inglês que ele conheceu a menos de 15 minutos. Meia hora depois de chegarmos a San Raphael, meu irmão já era um morador dos Estados Unidos com talão de cheques e tudo mais.
Daí em diante, dedicamos o tempo a buscar roupas pra ele poder ficar lá por um ano e algum conforto.
Entenda conforto como "NOTEBOOK ultra-mega-possante". E também um forno de microondas. Não sei de quem foi a idéia do microondas. Mas parecia fazer sentido uma vez que ele iria ficar num quarto sem cozinha. Pelo menos miojo ele poderia fazer.
Compramos numa daquelas grandes redes de supermercados que vendem de armas de guerra a absorventes íntimos com luzinhas made in Ucraine.
Íamos comprar um pequeno e portátil, mas logo na hora de pagar, vimos que havia uma montanha de caixas e elas eram de um microondas enorme, estilo North America, onde a fartura é sinônimo de felicidade.
E além de ser gigante, estava na promoção!
Compramos aquilo tudo e enfiamos como pudemos no carro. Era uma quantidade de tralha que vocês não podem imaginar.
Compramos comidas, varias latas de sopinhas. Etc. O André parecia que ia para o Pólo Sul... Minto. Parecia que ia pra Marte, de tantos equipamentos e mantimentos.
Levamos aquilo lá pra escola de inglês e qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que nem as sopinhas, nem os miojos, e o pior, nem o microondas podia entrar lá.
Deixamos o André super feliz no curso de inglês. Eu sabia que aquela poderia ser a última vez em alguns anos que eu iria ver o meu irmão. Pelo menos daquele jeito que ele era. Morar fora foi muito bom para o amadurecimento dele. De uma certa forma eu estava certo e quando tornei a vê-lo, dois anos e alguns meses depois, ele já era outra pessoa, com muito mais experiência de vida.
Mas naquele dia foi barra pesada. A ficha da minha mãe caiu quando viramos a esquina. Não havia nenhuma palavra no carro. Estávamos em silêncio. Durante um tempo tudo que ouvíamos eram os suspiros da minha mãe.
Andamos uns três km em silêncio. Apenas havia o barulho da rua e do motor. Todos nós pensávamos naquilo tudo. Naquela doideira de largar um membro da expedição em outro país. Minha mãe deve ter fantasiado de alguma forma a perda de um filho, porque ela chorou horas e horas seguidas.
Eu tentei colocar uma musica feliz no radio do carro, mas nessas horas tudo que toca parece trilha sonora de filme feita especialmente pro espectador chorar. Até rap.
Voltamos para Los Angeles e lentamente fomos nos distraindo da falta do André. Sempre que minha mãe dava uma recaída e abria o bocão a chorar, nós consolávamos que seria bom pra ele, que ele ia voltar falando inglês daqui a uns meses, que um ano passa rápido e etc. E ela diminuía o choro. Mas no fundo no fundo, todo mundo queria dar uma choradinha.
De volta a Los Angeles, não achávamos hotel. Parecia que nossa sorte miraculosa havia descido do carro junto com o André. Todos os lugares estavam lotados. Não achávamos hotel.
Acabamos encontrando um num lugar super privilegiado. No centro de Hollywood.
Era Hollywood Boulevard. Uma rua famosa por ser a “calçada da fama” de dia, e a “calçada das putas” de noite.
Este hotel que era a poucos metros do grande teatro chinês, não me pareceu um lugar digamos, muito familiar a princípio. O quarto tinha um cheiro de cigarro com bebida no carpete vermelho. Aliás, como os americanos gostam de carpete, né?
O problema nem era o cheiro. Era o Humphrey Bogart.
Ele ficou a noite toda olhando pra mim.
Havia na parede bem em cima da minha cama uma pintura de gosto super duvidoso, onde estava o Humphrey Bogart, o Charles Chaplin e um travesti, que só no dia seguinte entendi que era a Marilyn Monroe.
O Bogart estava com um olhar de cahaceiro assassino e aquele olho maldito não saía da minha direção. Custei a dormir. A noite, só ouvíamos barulhos de carros em alta velocidade, gritos e carros de polícia. Foi dureza.
Quando amanheceu, meu pai estava com aquele peculiar bom humor que incomoda todo mundo. Era nosso último dia. O vôo seria à tarde. Às cinco horas.
Tomamos café na espelunca, digo, no hotel e meu pai teve a brilhante idéia de comprar um palmtop, uma novidade, "o último arroto da moda geek" naquele tempo.
Ele achou um superbarato numa propaganda de loja de eletrônicos em Hollywood que estava num jornal do saguão. Resolvemos comprá-lo.
A idéia de ir até uma loja da Fry´s é sempre bem vinda para nerds como eu. Me sinto bem a vontade em grandes magazines de eletrônicos, como a CompUSA.
O problema é que este lugar era LONGE PRA CARALHO!
Andamos, andamos, atravessamos centenas de avenidas. E nada da porra da loja chegar.
Quando finalmente chegou, já era meio dia.
Entramos e começa a feira consumista desmedida. Lá pelas tantas, meu pai finalmente acha a área dos palmtops. Ele pega o palmtop, olha bem pra ele e diz:
- Ah, isso é coisa de boiola! Não vou comprar isso não.
Essa hora foi cômica. Como alguém atravessa metade de uma cidade tão inutilmente, meu Deus? Pra se ter uma idéia, é algo como ir de Petrópolis até a Barra da Tijuca pra chegar a conclusão que o troço é coisa de boiola.
Pois foi isso que aconteceu. Ele olhou bem no naipe do palm e achou aquilo coisa de baitola. Fomos almoçar e então resolvemos voltar. Eu olhei no relógio e as contas não estavam batendo. Aparentemente, levamos mais tempo para chegar no palm boiola do que teríamos para voltar e pegar o avião. O vôo era às cinco da tarde, o que implicava em fazer check in precisamente as três e meia. Mas eram duas e meia da tarde e nós estávamos milhas e milhas distantes do aeroporto. Pra variar, perdidos.
Nós tínhamos um mapa que era feito um caderno em espiral. Quando eu olhei no mapa, estávamos a seis páginas do aeroporto. Consegui depois de muito custo encontrar uma avenida reta que ia até a beira do aeroporto.
Todo mundo começou a ficar nervoso. O tempo estava contra nós.
A hora foi passando e a gente não saía da segunda página do mapa. Toda hora alguém me perguntava se ainda faltava muito.
Pra não desanimar o pessoal nem causar pânico, eu dizia que “estava chegando”.
Repeti isso tantas vezes, que virou um bordão. Todos nós começamos a ficar nervosos quando meu pai começou a ficar nervoso.
Se meu pai que é o cara mais descansado do mundo com horário começa a se desesperar, é porque já passou da fase “ferrou” há muito tempo.
Eu mostrei pra ele o que ainda faltava e meu pai virou o “senhor volante”.
Já viu Velozes e Furiosos? Meu pai saiu dirigindo daquele jeito com um carro cheio de gente e tralhas. E com um belo microondas novinho.
Lá pelas tantas, em meio ao sufoco, a minha tia começou a rezar no banco de trás.
A hora passava. Cada segundo era precioso. A Nivea ficou muda. Dali a uns minutos minha mãe também começa a rezar.
Meu pai começou a costurar no trânsito até que chegamos numa das coisas mais comuns em Los Angeles. O pitoresco engarrafamento.
Se você acha que em São Paulo tem engarrafamento, é porque não conhece Los Angeles, a maior cidade de um estado que tem mais carros do que todo o Brasil.
Era um puto dum engarrafamentão. Bem na hora do perrengue. Nunca detestei tanto um palmtop de boiola quanto naquele dia.
Meu pai nem se apertou. Entrou com tudo pelo acostamento.
Quando digo que ele “entrou com tudo” quero dizer que ele não freiou. Andamos a mais de 100 km/h pelo acostamento, tirando fininhos de milhares de carros caríssimos. Metade deles buzinava de susto. A roda do nosso carro devia estar passando a menos de três centímetros do guardrail. Nós todos sem respirar dentro do carro, víamos meu pai dirigindo como a encarnação do Ayrton Senna misturada com o Nigel Mansell e o Fanjo.
O perrengue era grande. E acredite se puder, chegamos faltando poucos minutos para encerrar o check in. Mas havia um problema, como entregar o carro da empresa de aluguel de carros Hertz?
Descarregamos tudo como deu. ( isso quer dizer, jogamos as malas pra fora da minivan de qualquer maneira) Eram malas que não acabavam mais. Metade delas de muamba. Até uma espada eu comprei.
Mas a recordista em compras era minha tia, com um monte de malas. Uma das malas era só de presentes para o cachorro dela.
E as comidas? Pensando em deixar umas coisas pro André que não puderam entrar, acabamos com sacos de cereja, uvas, um saco gigante de uns 5 kg de maçãs, que meu pai jurou que íamos comer, e não comeu nem uma sequer, enfim.
Noso carro tinha tanto badulaque, que havia dois dias que eu não conseguia fazer a barba, uma vez que nem sabia onde tinha ido parar as lâminas. ( eu comprei espuma e uma caixa enorme de lâminas de barbear)
Era peso morto que não acabava mais.
Jogamos tudo pra fora do carro e corremos com o carro para a Hertz.
Orientamos a Nivea, a minha mãe e a minha tia, pra irem fazendo o check in. Como só minha tia falava um inglês meio macarrônico, nós sabíamos que isso distrairia o processo de check in a ponto de conseguirmos chegar de volta da Hertz.
Corremos como uma bala para a Hertz e parecia que a sorte estava do nosso lado. Entregamos o carro ainda cheio de comida.
Do lado de fora, dois caras conversavam. Eu perguntei a eles sobre o ônibus e um deles era o motorista. Ele disse que o ônibus só sairia em vinte minutos para o aeroporto.
Eu quase tive um infarto. Em vinte minutos era para estarmos no avião voando.
Falei com ele e mostrei o bilhete. Aí quem quase teve um infarto foi ele.
O cara falou algumas coisas pelo rádio e nos jogou pra dentro do ônibus.
Ele também dirigiu feito um maluco e conseguimos chegar como planejamos no balcão de check in.
Quando chegamos no check in, descobrimos mais um perrengue.
Havia mala demais. Era excesso de bagagem. Meu pai tentou resolver a situação numa das cenas mais engraçadas da viagem.
Ele virou pro cara do balcão e apontou para o microondas e depois pra ele e disse:
TO YOU! – Gift!
O cara arregalou os olhos e só dizia:
No, no, no, no....
E meu pai: Gift, to you, to you.
O cara não aceitou, o microondas de presente, obviamente. O problema é que pagar excesso de bagagem era mais caro que o preço daquela merda.
Tivemos que resolver a situação porque já tinha apitado a última chamada. Meu pai combinou de dividir o prejú do excesso de bagagem do microondas com a irmã dele e entramos. Aí chegamos naquela unidade de segurança. Passa as bagagens de mão no raio X, abre a calça, tira o sapato. Um calorão do caramba. Eu suando em bicas.
Os atentados de 11 de setembro haviam acontecido havia pouco tempo e eles estavam paranóicos com atentados terroristas.
Isso explica por que o cara arregalou os olhos ao ver um gringo com cara de turco dando um microondas novinho pra ele no aeroporto. Muito surreal.
Passamos as bagagens e corremos para o portão.
Havia uma mulher com cara de sargenta alemã nazista da segunda guerra, que era a responsável pelo vôo. Ela gritava e acenava para entrarmos logo no avião. Nisso, o vôo já estava com alguns minutos de atraso por nossa causa.
A moça aflita da companhia já estava fechando o portão.
Então eu olho e cadê a minha mãe? Nada. Não estava em nenhum lugar. Foi quando eu voltei e ao longe, vi minha mãe chorando no balcão de raio X.
Saí do avião e a sargenta gordona tentou me impedir. Eu dei um empurrão nela e ela quase caiu sentada. Começou a gritar comigo. Eu comecei a gritar com ela em português.
- Vai se foder sua vaca! - Com o dedo na cara dela. Ela meio que se cagou. E eu saí correndo pra encontrar minha mãe.
Ela queria fechar a porta do avião, mas minha mãe ia ficar pra fora. Minha mãe não fala nada de inglês.
Corri até lá deixando a gorda aos berros para trás.
Cheguei até o raio X e minha mãe estava desesperada procurando a bolsa.
Eu disse:
-Mãe, meu pai deve ter levado. Vamos embora. Agarrei ela pelo braço e saímos correndo.
Estavamos correndo feito loucos. Aí dispara um alarme. Naturalmente alguém da segurança viu uma movimentação estranha em um vôo, alguém empurrando a chefe de operações, pessoas correndo e gritaria e disparou o alarme de perigo.
Nisso, vieram os marines americanos de roupa camuflada e capacete armados com fuzis. Eram uns cinco com as armas apontadas na minha cabeça. Eu pensei sériamente que tinha chegado a hora de morrer num belo incidente internacional.
Eu parei na hora e digamos que no “brioco não passava nem uma leve brisa”.
Aí a sargenta apareceu. Ela pegou a minha mãe pelo braço e falou alguma coisa com os militares. Eles abaixaram as armas e ela nos jogou com toda delicadeza que só uma sargenta da SS em Auschwitz é capaz de fazer, pra dentro do avião e bateu a porta.
Aí vem uma das situações mais engraçadas da minha vida. Olhar para os passageiros. Todos eles sentados. Alguns com a cabeça entre as pernas.
Todo mundo SE CAGANDO DE MEDO de ser um atentado terrorista.
Aí me toquei da minha aparência. Barba por fazer. Olheiras, expressão de cansaço e medo. Cabelo desengonçado, suado... Eu era o protótipo do terrorista implantado pela mídia no inconsciente coletivo.
Imagina, você pega um avião tranqüilamente e ele começa a atrasar. Então acontece uma gritaria. Ninguém te dá informação. Dispara um alarme. Você pensa: “Fudeu. È o Osama!!!”
Fomos até nossos lugares e finalmente relaxamos. Minha mãe abriu a boca a chorar.
Ela chorava tão copiosamente, pelo meu irmão, pelo perrengue da volta ao aeroporto, pelo jeito que meu pai dirigiu, pelos soldados com fuzis apontados para nós, que meu pai teve que pegar o cobertorzinho que entregam no vôo e colocou na cabeça dela pra evitar de incomodar os passageiros.
Eu tenho certeza que um coroa que estava na primeira poltrona da fila do lado estava certo de que éramos terroristas, porque ele não desgrudou os olhos esbugalhados de pavor nem um segundo de nós. Eu acho que ele estava pensando que minha mãe era uma terrorista que estava se recusando a morrer na explosão do avião.
Este foi o Tour do Dudu voltando da Califórnia.
domingo, 8 de abril de 2007
A era do rádio

1887 - Henrich Rudolph Hertz descobre as ondas de rádio.
1893 - Padre Roberto Landell de Moura, faz a primeira transmissão de palavra falada, sem fios, através de ondas eletromagnéticas.
1896 - Gluglielmo Marconi realiza as primeiras transmissões sem fios.
1922 - Primeira transmissão radiofônica oficial brasileira.
1923 - Roquette Pinto e Henrique Morize fundam a primeira emissora brasileira Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.
1923 - É feita a primeira transmissão de rádio em cadeia no mundo, envolvendo a WEAF e a WNAC, de Boston.
1930 - É fundada a PRB 9 - Rádio Record de São Paulo.
1931 - O Governo de Getúlio Vargas autoriza a publicidade em rádio.
1932 -Ademar Casé estréia seu programa na Rádio Philips. Casé (avô da atriz Regina Casé) criou o primeiro jingle do rádio brasileiro: “Oh! Padeiro desta rua/Tenha sempre na lembrança/Não me traga outro pão/Que não seja o pão Bragança…”
1933 - O americano Edwing Armstrong demonstra o sistema FM para os executivos da RCA.
1934 - Criada a Rádio Difusora, apelidada de “Som de Cristal”, onde surge o termo “radialista”, inventado por Nicolau Tuma.
1935 - Acontece na Alemanha, a primeira emissão oficial de TV.
Assis Chateaubriand inaugura em 25 de setembro a PRG-3, Rádio Tupi do RJ.
1936 - Em Londres é inaugurada a estação de TV da BBC.
Ao som de “Luar do Sertão”, às 21 horas do dia 12 de setembro, ouvia-se: “Alô, alô Brasil! Aqui fala a Rádio Nacional do Rio de Janeiro!”. Surge a PRE-8, adquirida por apenas 50 contos de réis da Rádio Philips.
O ano de 1936 marca também a estréia no rádio de Ary Barroso . Um polêmico narrador esportivo que tocava gaita quando narrava os gols, tornou-se uma das mais importantes figuras do Rádio. Ele começou na Rádio Cruzeiro do Sul, do Rio de Janeiro, foi apresentador de vários programas de sucesso e compositor da música “Aquarela do Brasil”, entre outras.
1938 - A rádio americana CBS, apresenta o programa “A Guerra dos Mundos”, com Orson Welles, que simula uma invasão de marcianos aos Estados Unidos. O realismo era tamanho que uma onda de pânico tomou conta do País. O locutor anunciava: “Atenção senhoras e senhores ouvintes… os marcianos estão invadindo a Terra…”. A emissora teve que interromper a transmissão tamanha foi a confusão.
Também em 1938 acontece a primeira transmissão esportiva em rede nacional no Brasil, na Copa de 38, por Leonardo Gagliano Neto, da Rádio Clube do Brasil do RJ.
1939 - O americano Edwin Armstrong inicia operação da primeira FM em Alpine, New Jersey.
Almirante (”a maior patente do rádio!”) chamava-se Henrique Foréis Domingues. Fez sucesso nas décadas de 30 e 40. Criou o primeiro programa de auditório do rádio barsileiro, chamado “Caixa de Perguntas”. Em 1939, na Rádio Nacional.
1941 - Em 12 de julho, começa a transmissão da primeira rádio novela do País, que foi apresentada durante cerca de três anos, pela PRE-8, Rádio Nacional do RJ. Era a novela “Em Busca da Felicidade”. A seguir foi a vez de “O Direito de Nascer”.
Na década de 40 entra no ar o primeiro jornal falado do rádio brasileiro: o “Grande Jornal Falado Tupi”, de São Paulo.
Também surge o noticiário mais importante do rádio brasileiro: o “Repórter Esso”. A primeira transmissão aconteceu às 12h:45min do dia 28 de agosto de 1941, quando a voz de Romeu Fernandez anunciou o ataque de aviões da Alemanha à Normandia, durante a 2ª Guerra Mundial. O gaúcho Heron Domingues marcou a história do rádio apresentando durante anos o “Repórter Esso”. Em São Paulo a transmissão era feita pela Record PRB-9.
O humorista Chico Anysio começou no rádio, na década de 40, produzindo e apresentando programas, entre eles o “Rua da Alegria”, na Rádio Tupi do Rio de Janeiro.
1942 - Abelardo Barbosa (Chacrinha) surgiu no final dos anos 30, na PRA-8 Rádio Clube de Pernambuco. Em 1942 ele foi para a Rádio Difusora Fluminense. A partir de então ficou conhecido como Chacrinha, pois a emissora ficava numa chácara em Niterói. É criado o “Cassino do Chacrinha”. Em 1959 o “Velho Guerreiro” estréia na Televisão.
1946 - Surgem os gravadores de fita magnética, dando maior agilidade ao rádio.
1948 - Na Rádio Nacional faz sucesso o programa “Balança mas não cai”.
No dia 1º de abril, em algum ano próximo à Copa de 1950, o locutor esportivo Geraldo José de Almeida, da Rádio Record, irradia um jogo inteiro do time do São Paulo, que estava excursionando pela Europa. No final da partida um resultado que chocou os torcedores: o São Paulo havia perdido por 7 X 0. No dia seguinte a Rádio Record anuncia que tudo não passou de uma farsa. O jogo nem tinha acontecido. Era brinacadeira do dia da mentira.
1953 - A cantora Emilinha Borba, que começou na Rádio Cruzeiro do Sul, foi consagrada a “Rainha do Rádio”, na Rádio Nacional.
1962 - Primeira transmissão de rádio via satélite.
1963 - Em 27 de novembro, é criada a Associação Brasileira de Rádio e Televisão - ABERT.
1965 - O Brasil é integrado no Sistema Intelsat. É inaugurado o MIS - Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.
1967 - Criado no dia 25 de fevereiro o Ministério das Comunicações.
1977 - Entra no ar ao vivo de Nova Iorque pela Rádio Difusora de São Paulo o “Big Apple Show” - programa produzido e apresentado por Julinho Mazzei e que se tornou o programa de maior audiência da história do rádio brasileiro.
Que chic heim!!!!!!….thanks!!!!!
Nossa..comecei a ler e,se não tivesse a citação do Big Apple,eu iria colocar como um marco na história do rádio!Mas,para ser mais justo,quero colocar na lista também a criação da rádio Cidade FM,estilo que revolucionou o rádio do Brasil(também em 1977).Quando eu cito a Cidade FM,cito ela como um todo! Tudo se agregou para aquela revolução.Uma grande idéia(mérito do Carlos Townsend) e grandes talentos como Fernando Mansur,Eládio Sandoval,Romilson Luiz e tantos outros locutores,programadores e demais profissionais que fizeram a rádio.Podem discordar se quiserem,ok?
Os aventureiros da torre proibida
Os aventureiros da torre proibida. – Uma história REAL.
Relaxa. Senta aí, abre uma coca-cola que nós vamos voltar no tempo.
Vamos voltar ao ano de 1992. Eu tenho agora dezesseis aninhos recém completados e sou ainda tão idiota quanto era com quinze. Eu estou sentindo um frio do cacete, porque já é junho e o inverno se aproxima à galope.
Estou caminhando com meu passo de urubu cansado indo para o colégio Pio XI onde tenho a primeira aula de Matemática. Eu odeio Matemática, apesar de ser amigo do Luiz, meu professor que é um cara gente boa e tomamos umas geladas de vez em quando. Eu vou feliz pra aula de matemática porque sei que vou escrever algum conto novo na aula dele. Faz tempo que eu nem sequer sei do que ele está falando lá na frente. Não me parece importante. Ao menos não tanto quanto a meta de escrever uma redação por dia por pelo menos um ano. 365 redações de no mínimo 30 linhas. Uma meta e tanto, que se tudo der certo, me fará escrever um pouco melhor. Vai que dá, né?
Eu chego na aula tradicionalmente as sete e meia, bem na hora que bate o sinal. Estou na oitava série do segundo grau e a minha turma é um caso curioso. Se cobrir vira circo. Se cercar, vira hospício. Tem de tudo, punk, louras gordas taradas, gostosas pervertidas, maluco-beleza, nerds, e tem também ninguém menos que o PÃO COM OVO! ( pra quem não sabe quem é o Pão com ovo, leia os posts aí em baixo pra descobrir.)
Eu termino a minha redação e a aula está acabando. O Nelson, meu amigo me chama. Quer falar algo sobre a feira de ciências.
Mas antes deixa eu explicar o sistema de castas do colégio: Lá funciona assim. No primeiro nível estão os caras bonitões e as gostosas ricas. Eles parecem só conversar entre si e é como se houvesse uma parede invisível que separa o mundo deles do nosso. ( o resto)
Eu estou no meio do resto. Bem, não necessariamente no meio. Na verdade eu tô mais na periferia do resto, porque sou da classe dos Nerds.
Porém, sou um nerd meio defeituoso, porque nem nota boa eu tiro. Mas com o lance de escrever e desenhar eu meio que consegui um lugar à parte e é quase como ter uma casta própria: O artista maluco. Aliás, o maluco artista.
Sou amigão de um punk e isso gera olhares curiosos das pessoas no recreio, porque é muito estranho um nerd estar associado indelevelmente a um punk fedorento de moicano e tudo porque parecem estar em graus opostos do sistema de classe escolar.
Voltando ao Nelson. Nelson é meu amigo nerd. Mas o Nelson é um nerd oficial, daqueles de exposição. Se tivesse pedigree pra nerd como tem pra cachorro, Nelson seria um reprodutor. Ele é magrelo, CDF até não caber mais, tem letrinha bonita e nessa altura do campeonato, em junho, já passou de ano e vai ao colégio só por esporte. Não pelos esportes, que fique bem claro, porque de esporte o Nelson - como manda o mandamento nerd,- é uma negação. Nelson me chama porque quer debater o assunto da feira de ciências.
A feira de ciências na estrutura escolar do ano de 1992 é uma espécie de redenção, purgatório para as almas deficientes de nota em Física, Química ou Biologia, darem um tapa e subirem de nível para um grau mais “aprovável”. É o meu caso. Mas não o do Nelson. Ele está nessa pelo prazer. Um tarado.
No meu grupo está também o Hugo. Já apresentei? Não?
Pois aqui vai. O Hugo está numa fronteira estranha. Um triângulo das bermudas entre um nerd, um playboy e um esportista. Não é nenhum dos três, e é os três ao mesmo tempo. O cara corre pra dedéu. Hugo é quase que um figurante na sala, porque fala pouco. Fala quando deve. Queria eu ser assim. Ele ainda é boa pinta e se relaciona bem em todos os círculos. È um cara legal, mas nesse quesito de feira de ciências, ele não apita. Quem apita somos eu e o Nelson. Ele vai no vácuo.
- Vamos fazer de Aids! – Diz o Nelson já empolgado. Os olhos brilhando só de imaginar explicar as cadeiras de proteína que revestem o vírus.
- Póparar! – Digo eu jogando areia no sonho dele. - Todo mundo sempre faz essa merdinha de Aids. Além do mais, eu preciso de ponto é com o Pery. To ferrado em Física e não em Biologia. Biologia pra mim é mole. O Sávio explica bem e tal...
- Mas vamos fazer o que então? - Interrompe o Hugo.
- Bora fazer de... ENERGIA ELÉTRICA! – E ante o olhar espantado do Nelson e do Hugo, explico:
- Vamos mostrar o arco voltaico, como ele salta gerando uma fagulha elétrica no espaço. – E em seguida passo a explicar detalhadamente meu plano cabuloso de roubar o acendedor elétrico do fogão da minha mãe e ligar nele uns fios, uns arames, de modo a fazer um raio saltar bem na frente da pessoa. Descobri que dava pra fazer isso ao ver um programa na tv Manchete: Acredite se quiser, que mostrou a vida do cientista Nikola Tesla. Continuo a explicar até o final.
- Beleza então. Vai ser show . Vai causar impacto. – Comenta o Hugo já animado, esfregando as mãos.
- Se não causar, pelo menos me dá ponto. – Digo eu.
- Bora então. – Resigna-se o Nelson
Marcamos um encontro para debater e comprar algumas coisas necessárias ao nosso experimento. O encontro é após a aula do dia seguinte, uma sexta-feira.
Na sexta vou animado pra escola, encontrar a galera. Com sono, mas animado, pois passara a noite anterior inteira desmontando o acendedor elétrico do fogão e tudo indicava que ia dar certo. Daria início ao nosso projeto. Só um nerd legítimo se anima ante a dificuldade de gerar um arco voltaico.
Acaba a última aula e encontro meus companheiros. Saímos para o Plaza Shopping. Almoçamos no Mc Donald´s e ficamos a olhar as menininhas. Em seguida rumamos para Rua da Conceição, onde tem aquelas lojas de produtos médicos. Eu tenho uma listinha de bagulhos a comprar: Magnésio em pó. Luvas cirúrgicas e elásticas cirúrgicos para isolar os fios eletrificados com os tubos de borracha. E também uma seringa hipodérmica para colocar tinta nas minhas canetas de nankim.
Boto os meninos para pagar a conta. Pego o pacotinho e enfio no bolso.
Em seguida olhamos para aquela enorme torre do Niterói Shopping. Um de nós comenta:
- Porra como é alto.
- É mesmo.
- A paisagem lá deve ser do cacete! – Digo eu.
- Dá pra ir lá? – Pergunta Nelson intrigado.
- Acho que dá. – Diz o Hugo.
- Então vamos, ué! – Digo eu já saindo em direção a torre. Os nerds vão atrás.
Lá estou eu subindo de elevador 31 andares acompanhado de um nerd legítimo e um garoto caladão. Chegamos enfim ao trigésimo primeiro andar. Sigo decidido para as escadas. Eles vão atrás. Ao subirmos, começamos a ver que as escadas são cobertas de pixações, jornais velhos e sujeira. O ambiente é meio duvidoso.
- Galera, vamos tirar os relógios que aqui ta parecendo que é boca de fumo. – Comento eu guardando meu relógio de camelô. Eles fazem o mesmo. E já vejo uma certa expressão de medo na cara do Nelson. Mas ele finge não perceber isso.
Continuamos a subir em direção ao imenso platô que conduz a uma ampla caixa dágua. Uma caixa d´água gigante. Descomunal. Vamos circundando a caixa d´água até que nos deparamos com dois caras. Ambos de camisa florida e pochetão.
Meu cérebro rapidamente liga tudo. A equação é simples:
Pochetão = REVÓLVER = FUDEU!
Pelo que parece, meus amigos também fizeram a mesma conexão. Pois o cara da camisa florida gritou:
- Pára aí mane! - E eu só vi o cabo da coronha saindo da pochetão. Nelson e Hugo tinham saído vazados pelas escadas e eu corri pra outro lado, me escondendo atrás de uma pilastra.
PARA O TEMPO. Agora o que eu conto a seguir ocorre simultâneamente:
Hugo desce as escadas saltando de seis em seis degraus. Com a agilidade que lhe é peculiar, ele vence sem grandes problemas vários andares em uma questão se segundos e pára só no 12 andar. Ao lado de um velhinho. Hugo prende a respiração e tenta parecer estar ali há horas. O elevador chega. Ele entra com o velho e no tempo da descida que parece nunca ter fim, Hugo pensa desesperado no destino de seus amigos. Ele sabe que é o único que sabe sobre nós e os traficantes e sente que deve fazer alguma coisa. Quando o elevador chega no andar final, Hugo sabe o que deve fazer.
Nelson vendo Hugo virar o primeiro andar de escadas resolve correr pro mesmo lado. O maluco com a arma na mão vai correndo atrás dele. ( imagine em câmera lenta)
Nelson tenta fazer como viu Hugo fazer, saltar os degraus, mas não tem a agilidade necessária e é mais lento. O maluco que corre atrás de Nelson consegue aproximar-se a ponto de lhe acertar um tapão estilo “delegado” no meio das costas. Nelson faz uma volta no ar e vê desesperado que não vai acertar o chão e sim a parede.
Nelson se choca em slow motion com o concreto e volta pra trás bem na direção do revólver do traficante. Nessa hora ele toma o segundo tapinha estilo “delegado”, mas dessa vez na cara. Ainda pode ouvir os sons de Hugo jogando-se pelos andares como o Homem aranha.
Corta pra mim. Estou atrás da porra da pilastra minúscula onde acredito, não serei visto. O medo afeta nossa percepção do ridículo. Percebo isso quando sinto um geladinho encostar na minha têmpora. Evito olhar, pois sei que é o cano do trabuco.
- Queitinho aí. – Diz a voz que segura firmemente uma pistola Walter 9mm preta grudada na minha cabeça.
-...- Eu não respondo nada, afinal não convém desobedecer alguém com tamanha vantagem.
AGORA O TEMPO VOLTA AO NORMAL.
O cara da arma manda-me levantar devagar e olhar pra pilastra. Eu ouço a gritaria nas escadas. O cara começa a me torturar.
-Sabe o que eu vou fazer com você, malandro? Vou te apagar aqui mesmo. Depois vou te jogar lá em baixo... – Dizia ele passando o revólver na minha cabeça e apontando às vezes no meu olho. Eu não chorei. Não por dar uma de machão, não. Acho que o perrengue era tamanho que isso "broxou" meu choro. Era cagaço demais e isso em deixou meio que semi-consciente. Meio que acordado-dormindo, ausente, sabe?
Nisso, o outro traficante chega com o Nelson. Coitado.
Deu pena de ver o Nelson. Cansado, mancando num balé “To raso, tô fundo” que só não era mais patético porque o tapão que levara na cara deixara uma marcona roxa igual a que o Tim Maia tinha. Nelson era meio mulato e como seria de se imaginar, apanhou mais que eu porcausa disso. Chegou chorando. Os braços para trás, segurados pelo traficante. A arma na cabeça.
Os traficantes nos levam para as infectas escadas. Eu pensei: - È agora que eu vou morrer.
Senta aí. – Disse ele apontando pra um canto com a arma. Eu obedeci.
Os nossos dois captores eram figuras estranhas. Camisa florida calça jeans, pochetão pendurado na camisa. Um era alto e fortão. O outro um baixote magricela. Mas o grandão e ameaçador era mais relax. Era o que me torturou. Já o magrelo era ignorante pra caramba. Batia atôa na gente. Não tinha paciência. O rompante de violência era facilmente identificado nele. Compensação por sua compleição frágil. Imaginei que eles eram parceiros do crime. Fred e Barney...
Nesse momento, notei que o Nelson ainda com as mãos para trás estava... Algemado.
Peraí. Algemas? Bandidos não usam algemas. Foi quando caí na real de que não eram traficantes. Eram da polícia civil. Aí sim eu me caguei de medo.
Eles achavam que NÓS éramos os traficantes. E começaram a quere saber tudo. Quem nós éramos e principalmente, onde estava o baseado!
Infelizmente, eu nessa época era tão nerd, tão alienado que – acredite se quiser – não sabia o que era um baseado.
A tese dos policiais era de que nós tínhamos ido lá usar drogas ou vender. E ao encontrar com eles, fugimos escondendo a droga ou mesmo deixando ela com o nosso amigo, que – nas palavras deles – “evadiu-se do local”.
Toda vez que eles perguntavam o que nós tínhamos ido fazer lá era a mesma coisa:
- Ver a paisagem.
- Porra! Ta achando que eu sou burro, seu FDP! – E lá vinha tapinha na cara. Agarrão no pescoço. Revólver na cabeça. – Cadê o baseado porraaaaaaaaa?
E ficamos nessa droga o que pareceu ser um dia todo, mas na verdade, foi uma hora.
Agora corta pra minha casa. Sexta feira, meu pai chega mais cedo do trabalho, pega as malas. Minha mãe deixa um bilhete e dinheiro sobre a mesa. Eles vão viajar. Estão indo para a casa de Cabo Frio e só voltarão na segunda bem cedo. Eu ficarei em casa sozinho o fim de semana todo. Minha mãe pega meus irmãos, as malas e vai pro elevador. Meu pai está fechando a porta quando o telefone lá dentro toca. Ele hesita em reabrir a tranca e atender ao telefone, mas achando que posso ser eu querendo ir com eles, resolve ir atender.
Ao pegar o telefone e ouvir os primeiros cinco segundos, meu pai faz a expressão característica de “fodeu!”.
Minha mãe já desespera. A expressão que meu pai só faz em momentos de pânico total, como quando quase se afogou na lagoa de Araruama tentando desvirar nosso barquinho, ou quando meu irmão capotou o carro na serra na beira do precipício e ele viu pelo retrovisor.
Minha mãe vem correndo e fica aflita dando pulinhos ao lado do meu pai.
Do outro lado do telefone, está mãe histérica do Hugo, avisando que os traficantes me pegaram, e que vão me executar. Aliás, nessa altura do campeonato, eu já morri. Pânico na minha casa.
Corta de volta para o interrogatório nas escadas imundas.
Lá estou eu com a arma apontada na testa. O cara já tá perdendo a paciência. Quer saber que droga era e onde nós escondemos. Eu reafirmo que não tem droga. O Nelson só chora e balança a cabeça confirmando. Ele parece estar meio em estado de choque. Aliás, estado de choro.
Eu estou rígido em afirmar que não tinha porra de droga alguma e que tínhamos ido olhar a da paisagem. O cara dá uma última chance:
- Não vai falar não? È a última chance que eu dou!
- Mas não tinha droga, policial. – Falo eu em tom de súplica.
- Então tá. Se eu achar alguma droga com vocês vou apagar os dois e jogar aqui de cima, ouviu?
O cara grandão, o Fred, resolve nos revistar. O Barney quer logo "matar um pro outro abrir o bico". E pelo que eu vejo, vai ser o Nelson. Ele chora mais ainda. A coisa tá mesmo ficando preta.
O Fred resolve revistar o Nelson. Agarra o Nelson pelos cabelos, levanta o coitado pelos cabelos e econsta com aquela delicadeza peculiar da polícia o infeliz na parede.
Na cabeça dele, se a droga ta com alguém tá com o neguinho. Até porque eu não corri. Só entrei atrás de uma pilastra. O Nelson correu e ainda por cima é mulato. Deve ter culpa no cartório.
Ele investiga o Nelson. Apalpa todo. Acha a carteira. Abre, cheira. Olha cada detalhe, cada compartimento. Eu percebo que o Nelson olha fixamente pra mim.
Os olhos injetados de choro, inchados. Mas é um olhar de pena. Um olhar que diz alguma coisa.
Sim, eu entendo. O Nelson viu que eu vou me foder. O cara vai achar o arsenal de bagulhos no bolso de trás da minha calça. Seringa, pó branco em saquinho, elásticos, luvas. Tô ferrado.
Fred se vira pra mim. Não achar nada no Nelson o deixou seco pra procurar e encontrar alguma coisa. Senão ele faria papel de palhaço. Queria provar a si mesmo que estava certo, que era um bom policial, que seu faro era tão apurado quanto ele queria que fosse.
Veio na minha direção. Aproveito da minha prerrogativa de branco, de não estar algemado. Levanto-me e fico de frente pra ele. Ele não me vira pra parede. (que sorte) Começa a apalpar. Enfia a mão nos bolsos da frente. Um Halls, chave de casa, dados de RPG, elástico e mil moedinhas. Então ele apalpa os bolsos de trás. Vai direto no pacote maldito.
- Que isso? - Ele diz já pegando a arma.
Então, numa atuação digna de David Blaine que nem eu mesmo acredito e entendo como se deu até hoje, eu enfio a mão pra trás e tiro DO OUTRO BOLSO a minha carteira e o policial NÂO PERCEBE!
Aproveito o tempo que ele leva pra cheirar e chafurdar dentro dela para sentar-me deixando bem longe dele a possibilidade de olhar o pacote que seria minha sentença de morte.
Ele abre a carteira e logo de cara acha uma camisinha.
Eu era virgem, mas achava bonito ter uma camisinha na carteira, afinal, sabe-se lá se pode aparecer uma gostosa tipo a Sharon Stone querendo dar, né? Aos 16 anos você fantasia mil situações. Além do mais, pros amigos impressiona, parece que você já não é mais virgem... Dá uma de experiente, sabe como?
O Fred pega a camisinha... FIca olhando. Olha pra mim, pro Nelson...
- Huuuuummmmm... To entendendo. – Olha pro Barney e ri. Cara de safado. Eu caio na real. Ele ta achando que somos bichas.
- Quem vai comer quem aí? – Pergunta o Barney. – Ferrou. Como se não bastasse tudo que passamos, eles vão querer comer a gente antes de resolverem matar e jogar a gente do alto da torre.
- Não, não. Calmaí. Nós não somos viados não. – Já adianto eu. O Nelson está chorando ainda. Mas o cara acha a minha carteirinha de sócio do CCBA.
CBBA é o seleto "Clube dos Comedores de Buceta Anônimos". Uma babaquice que eu inventei com 14 anos, para aparecer. Coisa idiota e infantil de um demente como eu. Mas graças a Deus salvou a gente. O cara cai na real que somos estúpidos, mas boiolas nós não somos e me devolve a carteira.
Fred e Barney confabulam e resolvem nos levar pra sala da segurança. Fred Saca a algema e resolve me algemar. Eu interpelo:
- Calma... Você vai me algemar?
- Vou.
- Você acha que eu vou correr de você armado?
- Seu amigo correu.
- Mas ele achou que vocês eram traficantes.
-... – Fred fica pensando. Manda Barney tirar a algema de Nelson e vamos sem algemas lá pra baixo.
Descemos os degraus da escada e chegamos ao anel dos elevadores. Ao entrar no elevador e ver a ascensorista, eu já sinto um alívio tremendo. É como ser um náufrago e ver um navio. Pelo menos na frente de uma outra pessoa seria difícil levar um tiro à queima-roupa.
Chegamos no andar térreo. Vamos seguindo o Fred. O Barney atrás, segurando o pochetão. Passamos por um longo corredor. O corredor vai estreitando, passa uma porta, duas, três. O corredor é apertadinho e leva a uma sala. Eu entro na sala e constato que ela é toda de azulejos. Azulejos azuis. Isso é um mau sinal. Azulejos são bons para tirar mancha de sangue. Estamos na sala com Fred e Barney. Estamos esperando alguém. Barney sai e vai chamar. O tempo passa... Passa... Começa a incomodar o silêncio. Nelson está cabisbaixo. Sabe que é melhor ficar quieto, pois ele é o lado mais fraco na corrente. Ele reflete e percebe como é inútil ser o CDF fodão. Onde estão as medalhas e boas notas agora para protegê-lo?
A porta abre violentamente e entra um sujeito enorme. Parece até o Golias. Se minha vida fosse um game, ali estaria o chefão da primeira fase.
Ele entra, senta-se numa cadeira cheia de espuma para fora, semi-recoberta por um estofado rasgado e puído. Coloca os pés sobre a mesa velha de madeira. Está quieto.
Ele olha pra nós. Olha pro Nelson depois pra mim. Na porta está Barney. Cara de prazer. Está se deliciando a cada segundo de suspense incômodo que o Golias magistralmente comanda.
- PUTAQUIPARIU! - Berra socando a mesa. Eu me assusto. Até o Zé do Caixão se assutaria. Ele continua, berrando: – Eu tava tirando a minha soneca e agora vem dois moleques filhos de uma cadela atrapalhar.
O linguajar mostra que o gigante é mesmo o chefe da segurança. Ele saca de uma gaveta um livro. No meio dele, escreve algumas coisas e manda eu e o Nelson assinarmos. Nós obedecemos. Os policiais vão embora. O Golias diz que vai ficar sozinho conosco. Quer saber direitinho a história.
Eu começo a amarelar novamente. Parecia ter saído da panela e caído no fogo. O Golias pega o telefone de mil novescentos e antigamente e disca uns números. Em poucos segundos, abre-se a porta e entra um negão forte.
Golias manda o negão levar Nelson para outra sala. Vai interrogar os dois separadamente.
Começo a ter certeza de que aquele definitivamente não era o meu dia.
Agora estou sozinho na sala de azulejos que mais parece uma cela de tortura do DOPS com um brutamontes anabolizado. Pra piorar, ele abre uma gaveta. Gavetas me dão medo. Não dá pra imaginar o que vai sair.
Sai um porrete. Um porrete pouco maior que um cacetete de policial, porém bem mais grosso. O cara dá um porradão com ele na mesa e eu subo no ar uns dois centímetros. O cagaço aumentando... Então Golias começa:
- Eu vou perguntar uma vez só. Depois vou ligar e vou mandar perguntar pro seu amigo. Se a história não bater ó! – Diz ele metendo umas três varetadas na mesa. Cada um tem o som de um morteiro. A cada um eu subo no ar um centímetro.
Começo a imaginar que pela lei de Murphy, a porra do Nelson vai resolver inventar alguma coisa agora que soe mais plausível que “ver a paisagem”.
Duas horas depois, o cara cai na real e Nelson que por sorte não é criativo, confirma da outra sala a história. Estamos livres.
Saímos meio que sem rumo. Sem saber o que fazer, para onde ir. Eu me tranqüilizo mentalmente imaginando que meus pais nunca saberão deste pequeno incidente pois estão tranquilos, curtindo a vida lá em Cabo Frio...
Saio com o Nelson e ao olhar o reflexo numa vitrine, vejo que o negão que tava com o Nelson ta seguindo a gente. Naturalmente ele acha que encontraremos com o nosso amigo que “evadiu-se”. Lêdo engano. Ele não percebe que eu sei que estamos sendo seguidos. Eu comento com o Nelson e vamos direitinho sem demonstrar nada para fora do shopping. Saímos e vamos andando para casa. O cara segue a gente por uns três quarteirões e parece desistir.
Quando eu chego no meu prédio, à cena que vejo é digna de um Globo Repórter. Minha mãe está transtornada, desesperada andando de um lado para outro. Ao ver a cena, já na portaria do prédio, eu caio na real que o Hugo avisou lá em casa.
Minha mãe ao me ver, vem correndo e me atropela abraçando forte. Quase morro sem ar.
Ela e meu pai já estavam indo no IML reconhecer o meu corpo. Meus pais desistem de viajar. Minha mãe sobe pra tomar uns calmantes e desmaiar. E eu desço pro play para contar mais uma incrível aventura aos meus amigos.
Fim.
Relaxa. Senta aí, abre uma coca-cola que nós vamos voltar no tempo.
Vamos voltar ao ano de 1992. Eu tenho agora dezesseis aninhos recém completados e sou ainda tão idiota quanto era com quinze. Eu estou sentindo um frio do cacete, porque já é junho e o inverno se aproxima à galope.
Estou caminhando com meu passo de urubu cansado indo para o colégio Pio XI onde tenho a primeira aula de Matemática. Eu odeio Matemática, apesar de ser amigo do Luiz, meu professor que é um cara gente boa e tomamos umas geladas de vez em quando. Eu vou feliz pra aula de matemática porque sei que vou escrever algum conto novo na aula dele. Faz tempo que eu nem sequer sei do que ele está falando lá na frente. Não me parece importante. Ao menos não tanto quanto a meta de escrever uma redação por dia por pelo menos um ano. 365 redações de no mínimo 30 linhas. Uma meta e tanto, que se tudo der certo, me fará escrever um pouco melhor. Vai que dá, né?
Eu chego na aula tradicionalmente as sete e meia, bem na hora que bate o sinal. Estou na oitava série do segundo grau e a minha turma é um caso curioso. Se cobrir vira circo. Se cercar, vira hospício. Tem de tudo, punk, louras gordas taradas, gostosas pervertidas, maluco-beleza, nerds, e tem também ninguém menos que o PÃO COM OVO! ( pra quem não sabe quem é o Pão com ovo, leia os posts aí em baixo pra descobrir.)
Eu termino a minha redação e a aula está acabando. O Nelson, meu amigo me chama. Quer falar algo sobre a feira de ciências.
Mas antes deixa eu explicar o sistema de castas do colégio: Lá funciona assim. No primeiro nível estão os caras bonitões e as gostosas ricas. Eles parecem só conversar entre si e é como se houvesse uma parede invisível que separa o mundo deles do nosso. ( o resto)
Eu estou no meio do resto. Bem, não necessariamente no meio. Na verdade eu tô mais na periferia do resto, porque sou da classe dos Nerds.
Porém, sou um nerd meio defeituoso, porque nem nota boa eu tiro. Mas com o lance de escrever e desenhar eu meio que consegui um lugar à parte e é quase como ter uma casta própria: O artista maluco. Aliás, o maluco artista.
Sou amigão de um punk e isso gera olhares curiosos das pessoas no recreio, porque é muito estranho um nerd estar associado indelevelmente a um punk fedorento de moicano e tudo porque parecem estar em graus opostos do sistema de classe escolar.
Voltando ao Nelson. Nelson é meu amigo nerd. Mas o Nelson é um nerd oficial, daqueles de exposição. Se tivesse pedigree pra nerd como tem pra cachorro, Nelson seria um reprodutor. Ele é magrelo, CDF até não caber mais, tem letrinha bonita e nessa altura do campeonato, em junho, já passou de ano e vai ao colégio só por esporte. Não pelos esportes, que fique bem claro, porque de esporte o Nelson - como manda o mandamento nerd,- é uma negação. Nelson me chama porque quer debater o assunto da feira de ciências.
A feira de ciências na estrutura escolar do ano de 1992 é uma espécie de redenção, purgatório para as almas deficientes de nota em Física, Química ou Biologia, darem um tapa e subirem de nível para um grau mais “aprovável”. É o meu caso. Mas não o do Nelson. Ele está nessa pelo prazer. Um tarado.
No meu grupo está também o Hugo. Já apresentei? Não?
Pois aqui vai. O Hugo está numa fronteira estranha. Um triângulo das bermudas entre um nerd, um playboy e um esportista. Não é nenhum dos três, e é os três ao mesmo tempo. O cara corre pra dedéu. Hugo é quase que um figurante na sala, porque fala pouco. Fala quando deve. Queria eu ser assim. Ele ainda é boa pinta e se relaciona bem em todos os círculos. È um cara legal, mas nesse quesito de feira de ciências, ele não apita. Quem apita somos eu e o Nelson. Ele vai no vácuo.
- Vamos fazer de Aids! – Diz o Nelson já empolgado. Os olhos brilhando só de imaginar explicar as cadeiras de proteína que revestem o vírus.
- Póparar! – Digo eu jogando areia no sonho dele. - Todo mundo sempre faz essa merdinha de Aids. Além do mais, eu preciso de ponto é com o Pery. To ferrado em Física e não em Biologia. Biologia pra mim é mole. O Sávio explica bem e tal...
- Mas vamos fazer o que então? - Interrompe o Hugo.
- Bora fazer de... ENERGIA ELÉTRICA! – E ante o olhar espantado do Nelson e do Hugo, explico:
- Vamos mostrar o arco voltaico, como ele salta gerando uma fagulha elétrica no espaço. – E em seguida passo a explicar detalhadamente meu plano cabuloso de roubar o acendedor elétrico do fogão da minha mãe e ligar nele uns fios, uns arames, de modo a fazer um raio saltar bem na frente da pessoa. Descobri que dava pra fazer isso ao ver um programa na tv Manchete: Acredite se quiser, que mostrou a vida do cientista Nikola Tesla. Continuo a explicar até o final.
- Beleza então. Vai ser show . Vai causar impacto. – Comenta o Hugo já animado, esfregando as mãos.
- Se não causar, pelo menos me dá ponto. – Digo eu.
- Bora então. – Resigna-se o Nelson
Marcamos um encontro para debater e comprar algumas coisas necessárias ao nosso experimento. O encontro é após a aula do dia seguinte, uma sexta-feira.
Na sexta vou animado pra escola, encontrar a galera. Com sono, mas animado, pois passara a noite anterior inteira desmontando o acendedor elétrico do fogão e tudo indicava que ia dar certo. Daria início ao nosso projeto. Só um nerd legítimo se anima ante a dificuldade de gerar um arco voltaico.
Acaba a última aula e encontro meus companheiros. Saímos para o Plaza Shopping. Almoçamos no Mc Donald´s e ficamos a olhar as menininhas. Em seguida rumamos para Rua da Conceição, onde tem aquelas lojas de produtos médicos. Eu tenho uma listinha de bagulhos a comprar: Magnésio em pó. Luvas cirúrgicas e elásticas cirúrgicos para isolar os fios eletrificados com os tubos de borracha. E também uma seringa hipodérmica para colocar tinta nas minhas canetas de nankim.
Boto os meninos para pagar a conta. Pego o pacotinho e enfio no bolso.
Em seguida olhamos para aquela enorme torre do Niterói Shopping. Um de nós comenta:
- Porra como é alto.
- É mesmo.
- A paisagem lá deve ser do cacete! – Digo eu.
- Dá pra ir lá? – Pergunta Nelson intrigado.
- Acho que dá. – Diz o Hugo.
- Então vamos, ué! – Digo eu já saindo em direção a torre. Os nerds vão atrás.
Lá estou eu subindo de elevador 31 andares acompanhado de um nerd legítimo e um garoto caladão. Chegamos enfim ao trigésimo primeiro andar. Sigo decidido para as escadas. Eles vão atrás. Ao subirmos, começamos a ver que as escadas são cobertas de pixações, jornais velhos e sujeira. O ambiente é meio duvidoso.
- Galera, vamos tirar os relógios que aqui ta parecendo que é boca de fumo. – Comento eu guardando meu relógio de camelô. Eles fazem o mesmo. E já vejo uma certa expressão de medo na cara do Nelson. Mas ele finge não perceber isso.
Continuamos a subir em direção ao imenso platô que conduz a uma ampla caixa dágua. Uma caixa d´água gigante. Descomunal. Vamos circundando a caixa d´água até que nos deparamos com dois caras. Ambos de camisa florida e pochetão.
Meu cérebro rapidamente liga tudo. A equação é simples:
Pochetão = REVÓLVER = FUDEU!
Pelo que parece, meus amigos também fizeram a mesma conexão. Pois o cara da camisa florida gritou:
- Pára aí mane! - E eu só vi o cabo da coronha saindo da pochetão. Nelson e Hugo tinham saído vazados pelas escadas e eu corri pra outro lado, me escondendo atrás de uma pilastra.
PARA O TEMPO. Agora o que eu conto a seguir ocorre simultâneamente:
Hugo desce as escadas saltando de seis em seis degraus. Com a agilidade que lhe é peculiar, ele vence sem grandes problemas vários andares em uma questão se segundos e pára só no 12 andar. Ao lado de um velhinho. Hugo prende a respiração e tenta parecer estar ali há horas. O elevador chega. Ele entra com o velho e no tempo da descida que parece nunca ter fim, Hugo pensa desesperado no destino de seus amigos. Ele sabe que é o único que sabe sobre nós e os traficantes e sente que deve fazer alguma coisa. Quando o elevador chega no andar final, Hugo sabe o que deve fazer.
Nelson vendo Hugo virar o primeiro andar de escadas resolve correr pro mesmo lado. O maluco com a arma na mão vai correndo atrás dele. ( imagine em câmera lenta)
Nelson tenta fazer como viu Hugo fazer, saltar os degraus, mas não tem a agilidade necessária e é mais lento. O maluco que corre atrás de Nelson consegue aproximar-se a ponto de lhe acertar um tapão estilo “delegado” no meio das costas. Nelson faz uma volta no ar e vê desesperado que não vai acertar o chão e sim a parede.
Nelson se choca em slow motion com o concreto e volta pra trás bem na direção do revólver do traficante. Nessa hora ele toma o segundo tapinha estilo “delegado”, mas dessa vez na cara. Ainda pode ouvir os sons de Hugo jogando-se pelos andares como o Homem aranha.
Corta pra mim. Estou atrás da porra da pilastra minúscula onde acredito, não serei visto. O medo afeta nossa percepção do ridículo. Percebo isso quando sinto um geladinho encostar na minha têmpora. Evito olhar, pois sei que é o cano do trabuco.
- Queitinho aí. – Diz a voz que segura firmemente uma pistola Walter 9mm preta grudada na minha cabeça.
-...- Eu não respondo nada, afinal não convém desobedecer alguém com tamanha vantagem.
AGORA O TEMPO VOLTA AO NORMAL.
O cara da arma manda-me levantar devagar e olhar pra pilastra. Eu ouço a gritaria nas escadas. O cara começa a me torturar.
-Sabe o que eu vou fazer com você, malandro? Vou te apagar aqui mesmo. Depois vou te jogar lá em baixo... – Dizia ele passando o revólver na minha cabeça e apontando às vezes no meu olho. Eu não chorei. Não por dar uma de machão, não. Acho que o perrengue era tamanho que isso "broxou" meu choro. Era cagaço demais e isso em deixou meio que semi-consciente. Meio que acordado-dormindo, ausente, sabe?
Nisso, o outro traficante chega com o Nelson. Coitado.
Deu pena de ver o Nelson. Cansado, mancando num balé “To raso, tô fundo” que só não era mais patético porque o tapão que levara na cara deixara uma marcona roxa igual a que o Tim Maia tinha. Nelson era meio mulato e como seria de se imaginar, apanhou mais que eu porcausa disso. Chegou chorando. Os braços para trás, segurados pelo traficante. A arma na cabeça.
Os traficantes nos levam para as infectas escadas. Eu pensei: - È agora que eu vou morrer.
Senta aí. – Disse ele apontando pra um canto com a arma. Eu obedeci.
Os nossos dois captores eram figuras estranhas. Camisa florida calça jeans, pochetão pendurado na camisa. Um era alto e fortão. O outro um baixote magricela. Mas o grandão e ameaçador era mais relax. Era o que me torturou. Já o magrelo era ignorante pra caramba. Batia atôa na gente. Não tinha paciência. O rompante de violência era facilmente identificado nele. Compensação por sua compleição frágil. Imaginei que eles eram parceiros do crime. Fred e Barney...
Nesse momento, notei que o Nelson ainda com as mãos para trás estava... Algemado.
Peraí. Algemas? Bandidos não usam algemas. Foi quando caí na real de que não eram traficantes. Eram da polícia civil. Aí sim eu me caguei de medo.
Eles achavam que NÓS éramos os traficantes. E começaram a quere saber tudo. Quem nós éramos e principalmente, onde estava o baseado!
Infelizmente, eu nessa época era tão nerd, tão alienado que – acredite se quiser – não sabia o que era um baseado.
A tese dos policiais era de que nós tínhamos ido lá usar drogas ou vender. E ao encontrar com eles, fugimos escondendo a droga ou mesmo deixando ela com o nosso amigo, que – nas palavras deles – “evadiu-se do local”.
Toda vez que eles perguntavam o que nós tínhamos ido fazer lá era a mesma coisa:
- Ver a paisagem.
- Porra! Ta achando que eu sou burro, seu FDP! – E lá vinha tapinha na cara. Agarrão no pescoço. Revólver na cabeça. – Cadê o baseado porraaaaaaaaa?
E ficamos nessa droga o que pareceu ser um dia todo, mas na verdade, foi uma hora.
Agora corta pra minha casa. Sexta feira, meu pai chega mais cedo do trabalho, pega as malas. Minha mãe deixa um bilhete e dinheiro sobre a mesa. Eles vão viajar. Estão indo para a casa de Cabo Frio e só voltarão na segunda bem cedo. Eu ficarei em casa sozinho o fim de semana todo. Minha mãe pega meus irmãos, as malas e vai pro elevador. Meu pai está fechando a porta quando o telefone lá dentro toca. Ele hesita em reabrir a tranca e atender ao telefone, mas achando que posso ser eu querendo ir com eles, resolve ir atender.
Ao pegar o telefone e ouvir os primeiros cinco segundos, meu pai faz a expressão característica de “fodeu!”.
Minha mãe já desespera. A expressão que meu pai só faz em momentos de pânico total, como quando quase se afogou na lagoa de Araruama tentando desvirar nosso barquinho, ou quando meu irmão capotou o carro na serra na beira do precipício e ele viu pelo retrovisor.
Minha mãe vem correndo e fica aflita dando pulinhos ao lado do meu pai.
Do outro lado do telefone, está mãe histérica do Hugo, avisando que os traficantes me pegaram, e que vão me executar. Aliás, nessa altura do campeonato, eu já morri. Pânico na minha casa.
Corta de volta para o interrogatório nas escadas imundas.
Lá estou eu com a arma apontada na testa. O cara já tá perdendo a paciência. Quer saber que droga era e onde nós escondemos. Eu reafirmo que não tem droga. O Nelson só chora e balança a cabeça confirmando. Ele parece estar meio em estado de choque. Aliás, estado de choro.
Eu estou rígido em afirmar que não tinha porra de droga alguma e que tínhamos ido olhar a da paisagem. O cara dá uma última chance:
- Não vai falar não? È a última chance que eu dou!
- Mas não tinha droga, policial. – Falo eu em tom de súplica.
- Então tá. Se eu achar alguma droga com vocês vou apagar os dois e jogar aqui de cima, ouviu?
O cara grandão, o Fred, resolve nos revistar. O Barney quer logo "matar um pro outro abrir o bico". E pelo que eu vejo, vai ser o Nelson. Ele chora mais ainda. A coisa tá mesmo ficando preta.
O Fred resolve revistar o Nelson. Agarra o Nelson pelos cabelos, levanta o coitado pelos cabelos e econsta com aquela delicadeza peculiar da polícia o infeliz na parede.
Na cabeça dele, se a droga ta com alguém tá com o neguinho. Até porque eu não corri. Só entrei atrás de uma pilastra. O Nelson correu e ainda por cima é mulato. Deve ter culpa no cartório.
Ele investiga o Nelson. Apalpa todo. Acha a carteira. Abre, cheira. Olha cada detalhe, cada compartimento. Eu percebo que o Nelson olha fixamente pra mim.
Os olhos injetados de choro, inchados. Mas é um olhar de pena. Um olhar que diz alguma coisa.
Sim, eu entendo. O Nelson viu que eu vou me foder. O cara vai achar o arsenal de bagulhos no bolso de trás da minha calça. Seringa, pó branco em saquinho, elásticos, luvas. Tô ferrado.
Fred se vira pra mim. Não achar nada no Nelson o deixou seco pra procurar e encontrar alguma coisa. Senão ele faria papel de palhaço. Queria provar a si mesmo que estava certo, que era um bom policial, que seu faro era tão apurado quanto ele queria que fosse.
Veio na minha direção. Aproveito da minha prerrogativa de branco, de não estar algemado. Levanto-me e fico de frente pra ele. Ele não me vira pra parede. (que sorte) Começa a apalpar. Enfia a mão nos bolsos da frente. Um Halls, chave de casa, dados de RPG, elástico e mil moedinhas. Então ele apalpa os bolsos de trás. Vai direto no pacote maldito.
- Que isso? - Ele diz já pegando a arma.
Então, numa atuação digna de David Blaine que nem eu mesmo acredito e entendo como se deu até hoje, eu enfio a mão pra trás e tiro DO OUTRO BOLSO a minha carteira e o policial NÂO PERCEBE!
Aproveito o tempo que ele leva pra cheirar e chafurdar dentro dela para sentar-me deixando bem longe dele a possibilidade de olhar o pacote que seria minha sentença de morte.
Ele abre a carteira e logo de cara acha uma camisinha.
Eu era virgem, mas achava bonito ter uma camisinha na carteira, afinal, sabe-se lá se pode aparecer uma gostosa tipo a Sharon Stone querendo dar, né? Aos 16 anos você fantasia mil situações. Além do mais, pros amigos impressiona, parece que você já não é mais virgem... Dá uma de experiente, sabe como?
O Fred pega a camisinha... FIca olhando. Olha pra mim, pro Nelson...
- Huuuuummmmm... To entendendo. – Olha pro Barney e ri. Cara de safado. Eu caio na real. Ele ta achando que somos bichas.
- Quem vai comer quem aí? – Pergunta o Barney. – Ferrou. Como se não bastasse tudo que passamos, eles vão querer comer a gente antes de resolverem matar e jogar a gente do alto da torre.
- Não, não. Calmaí. Nós não somos viados não. – Já adianto eu. O Nelson está chorando ainda. Mas o cara acha a minha carteirinha de sócio do CCBA.
CBBA é o seleto "Clube dos Comedores de Buceta Anônimos". Uma babaquice que eu inventei com 14 anos, para aparecer. Coisa idiota e infantil de um demente como eu. Mas graças a Deus salvou a gente. O cara cai na real que somos estúpidos, mas boiolas nós não somos e me devolve a carteira.
Fred e Barney confabulam e resolvem nos levar pra sala da segurança. Fred Saca a algema e resolve me algemar. Eu interpelo:
- Calma... Você vai me algemar?
- Vou.
- Você acha que eu vou correr de você armado?
- Seu amigo correu.
- Mas ele achou que vocês eram traficantes.
-... – Fred fica pensando. Manda Barney tirar a algema de Nelson e vamos sem algemas lá pra baixo.
Descemos os degraus da escada e chegamos ao anel dos elevadores. Ao entrar no elevador e ver a ascensorista, eu já sinto um alívio tremendo. É como ser um náufrago e ver um navio. Pelo menos na frente de uma outra pessoa seria difícil levar um tiro à queima-roupa.
Chegamos no andar térreo. Vamos seguindo o Fred. O Barney atrás, segurando o pochetão. Passamos por um longo corredor. O corredor vai estreitando, passa uma porta, duas, três. O corredor é apertadinho e leva a uma sala. Eu entro na sala e constato que ela é toda de azulejos. Azulejos azuis. Isso é um mau sinal. Azulejos são bons para tirar mancha de sangue. Estamos na sala com Fred e Barney. Estamos esperando alguém. Barney sai e vai chamar. O tempo passa... Passa... Começa a incomodar o silêncio. Nelson está cabisbaixo. Sabe que é melhor ficar quieto, pois ele é o lado mais fraco na corrente. Ele reflete e percebe como é inútil ser o CDF fodão. Onde estão as medalhas e boas notas agora para protegê-lo?
A porta abre violentamente e entra um sujeito enorme. Parece até o Golias. Se minha vida fosse um game, ali estaria o chefão da primeira fase.
Ele entra, senta-se numa cadeira cheia de espuma para fora, semi-recoberta por um estofado rasgado e puído. Coloca os pés sobre a mesa velha de madeira. Está quieto.
Ele olha pra nós. Olha pro Nelson depois pra mim. Na porta está Barney. Cara de prazer. Está se deliciando a cada segundo de suspense incômodo que o Golias magistralmente comanda.
- PUTAQUIPARIU! - Berra socando a mesa. Eu me assusto. Até o Zé do Caixão se assutaria. Ele continua, berrando: – Eu tava tirando a minha soneca e agora vem dois moleques filhos de uma cadela atrapalhar.
O linguajar mostra que o gigante é mesmo o chefe da segurança. Ele saca de uma gaveta um livro. No meio dele, escreve algumas coisas e manda eu e o Nelson assinarmos. Nós obedecemos. Os policiais vão embora. O Golias diz que vai ficar sozinho conosco. Quer saber direitinho a história.
Eu começo a amarelar novamente. Parecia ter saído da panela e caído no fogo. O Golias pega o telefone de mil novescentos e antigamente e disca uns números. Em poucos segundos, abre-se a porta e entra um negão forte.
Golias manda o negão levar Nelson para outra sala. Vai interrogar os dois separadamente.
Começo a ter certeza de que aquele definitivamente não era o meu dia.
Agora estou sozinho na sala de azulejos que mais parece uma cela de tortura do DOPS com um brutamontes anabolizado. Pra piorar, ele abre uma gaveta. Gavetas me dão medo. Não dá pra imaginar o que vai sair.
Sai um porrete. Um porrete pouco maior que um cacetete de policial, porém bem mais grosso. O cara dá um porradão com ele na mesa e eu subo no ar uns dois centímetros. O cagaço aumentando... Então Golias começa:
- Eu vou perguntar uma vez só. Depois vou ligar e vou mandar perguntar pro seu amigo. Se a história não bater ó! – Diz ele metendo umas três varetadas na mesa. Cada um tem o som de um morteiro. A cada um eu subo no ar um centímetro.
Começo a imaginar que pela lei de Murphy, a porra do Nelson vai resolver inventar alguma coisa agora que soe mais plausível que “ver a paisagem”.
Duas horas depois, o cara cai na real e Nelson que por sorte não é criativo, confirma da outra sala a história. Estamos livres.
Saímos meio que sem rumo. Sem saber o que fazer, para onde ir. Eu me tranqüilizo mentalmente imaginando que meus pais nunca saberão deste pequeno incidente pois estão tranquilos, curtindo a vida lá em Cabo Frio...
Saio com o Nelson e ao olhar o reflexo numa vitrine, vejo que o negão que tava com o Nelson ta seguindo a gente. Naturalmente ele acha que encontraremos com o nosso amigo que “evadiu-se”. Lêdo engano. Ele não percebe que eu sei que estamos sendo seguidos. Eu comento com o Nelson e vamos direitinho sem demonstrar nada para fora do shopping. Saímos e vamos andando para casa. O cara segue a gente por uns três quarteirões e parece desistir.
Quando eu chego no meu prédio, à cena que vejo é digna de um Globo Repórter. Minha mãe está transtornada, desesperada andando de um lado para outro. Ao ver a cena, já na portaria do prédio, eu caio na real que o Hugo avisou lá em casa.
Minha mãe ao me ver, vem correndo e me atropela abraçando forte. Quase morro sem ar.
Ela e meu pai já estavam indo no IML reconhecer o meu corpo. Meus pais desistem de viajar. Minha mãe sobe pra tomar uns calmantes e desmaiar. E eu desço pro play para contar mais uma incrível aventura aos meus amigos.
Fim.
sábado, 31 de março de 2007
Fazer do google um modo de comparação
* Krugle é o Google dos códigos de programaçãoe
* Baidu é o Google da China
* YouTube é o Google de Video
* Michael Arrington é o Google da Web 2.0 (?!)
* Gamespot é o Google dos Video-games
* Nero é o Google dos softwares de gravação
* Winamp é o Google dos MP3 players
* Technorati é o Google da buscar por blogs
* Flickr é o Google de compartilhamento de fotos
* Bloglines é o Google dos leitores de RSS
* Amazon é o Google da venda online de livros
* ImageShack é o Google de host grátis para fotos
* TailRank é o Google de rastreador de memes
* Skype é sempre o Google do VoIP
* Pandora é o Google da música
* Honda é o Google dos automakers
* imdb é o Google dos filmes
* MySpace é o Google das redes sociais
* iTunes é o Google do mundo podcasting
* Lonely Planet é o Google dos livros de guias
* Baidu é o Google da China
* YouTube é o Google de Video
* Michael Arrington é o Google da Web 2.0 (?!)
* Gamespot é o Google dos Video-games
* Nero é o Google dos softwares de gravação
* Winamp é o Google dos MP3 players
* Technorati é o Google da buscar por blogs
* Flickr é o Google de compartilhamento de fotos
* Bloglines é o Google dos leitores de RSS
* Amazon é o Google da venda online de livros
* ImageShack é o Google de host grátis para fotos
* TailRank é o Google de rastreador de memes
* Skype é sempre o Google do VoIP
* Pandora é o Google da música
* Honda é o Google dos automakers
* imdb é o Google dos filmes
* MySpace é o Google das redes sociais
* iTunes é o Google do mundo podcasting
* Lonely Planet é o Google dos livros de guias
Você sabe que está viciado em internet quando?
# Sua geladeira está ao lado do computador.
# Suporte técnico entra em contato com você pedindo ajuda.
# Você começa sentir um “retrocesso” após ficar sem internet por um tempo.
# Ser chamado de “usuário” é um insulto para você.
# Seu professor ou chefe recomenda um teste de drogas devido aos olhos vermelhos.
# Você levanta às 2:00 AM para ir ao banheiro mas deixa de lado para ligar o computador.
# Você repreende seus pensamentos sobre a vida para pensar somente na Internet.
# Leva 15 minutos para que você consiga rolar seus favoritos de cima a baixo.
# Quando você verifica sua caixa de e-mail e o sistema diz “nenhuma mensagem nova”, você verifica novamente para ter certeza.
# Você se recusa a viajar para lugares sem eletricidade e linha telefônica.
# Pede para seu médico implantar 1GB no seu cérebro.
# Sua esposa diz que comunicação é importante no casamento, e para satisfaze-la, você compra um outro computador e instala uma rede doméstica para que vocês conversem em sala de “bate-papo”.
# Suporte técnico entra em contato com você pedindo ajuda.
# Você começa sentir um “retrocesso” após ficar sem internet por um tempo.
# Ser chamado de “usuário” é um insulto para você.
# Seu professor ou chefe recomenda um teste de drogas devido aos olhos vermelhos.
# Você levanta às 2:00 AM para ir ao banheiro mas deixa de lado para ligar o computador.
# Você repreende seus pensamentos sobre a vida para pensar somente na Internet.
# Leva 15 minutos para que você consiga rolar seus favoritos de cima a baixo.
# Quando você verifica sua caixa de e-mail e o sistema diz “nenhuma mensagem nova”, você verifica novamente para ter certeza.
# Você se recusa a viajar para lugares sem eletricidade e linha telefônica.
# Pede para seu médico implantar 1GB no seu cérebro.
# Sua esposa diz que comunicação é importante no casamento, e para satisfaze-la, você compra um outro computador e instala uma rede doméstica para que vocês conversem em sala de “bate-papo”.
Receita de jovialidade
Jogue fora todos os números não essenciais para sua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixe o médico se preocupar com eles.
Para isso ele é pago.
Freqüente, de preferência, seus amigos alegres.
Os de “baixo astral” puxam você para baixo.
Continue aprendendo…
Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixe seu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Curta coisas simples.
Ria muito e, muito e alto.
Ria até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Agüente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo.
Esteja vivo, enquanto você viver!
Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta:
família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for.
Seu lar é o seu refúgio.
Aproveite sua saúde.
Se for boa, preserve-a.
Se está instável, melhore-a.
Se está abaixo desse nível, peça ajuda.
Não faça viagens de remorso.
Faça uma viagem ao Shopping, para cidade vizinha,
para um país estrangeiro,
mas não faça viagens ao passado.
Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.
E lembre-se sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas
pelos momentos em que você perdeu o fôlego:
de tanto rir…
de surpresa…
de êxtase…
de felicidade…
Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela,
mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio
sol!
Autor Desconhecido.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixe o médico se preocupar com eles.
Para isso ele é pago.
Freqüente, de preferência, seus amigos alegres.
Os de “baixo astral” puxam você para baixo.
Continue aprendendo…
Aprenda mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixe seu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Curta coisas simples.
Ria muito e, muito e alto.
Ria até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Agüente, sofra e siga em frente.
A única pessoa que acompanha você a vida toda é você mesmo.
Esteja vivo, enquanto você viver!
Esteja sempre rodeado daquilo que você gosta:
família, animais, lembranças, música, plantas, um hobby, o que for.
Seu lar é o seu refúgio.
Aproveite sua saúde.
Se for boa, preserve-a.
Se está instável, melhore-a.
Se está abaixo desse nível, peça ajuda.
Não faça viagens de remorso.
Faça uma viagem ao Shopping, para cidade vizinha,
para um país estrangeiro,
mas não faça viagens ao passado.
Diga a quem você ama, que você realmente os ama, em todas as oportunidades.
E lembre-se sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que você respirou, mas
pelos momentos em que você perdeu o fôlego:
de tanto rir…
de surpresa…
de êxtase…
de felicidade…
Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela,
mas há também aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio
sol!
Autor Desconhecido.
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