terça-feira, 13 de março de 2007

barata me enganou

O dia em que a barata me enganou
Eu havia acabado de casar com a Nivea. Recém casados, pouca grana. Fomos morar numa cobertura.
hahaha, Calma. Não sou rico. Era a casa do zelador. Eu morava num pequeno apartamento de dois cômodos no alto de um prédio velho e pequeno que mais parecia o INAMPS. Só tinha velho e doente. Com destaque para os porteiros mais inacreditáveis que alguém já viu. nesta época, a minha sala tinha uma bela vista: Para um cano torto do telhado em meio a antenas tortas e telhas de amianto.
O pior é que o apartamento ficava quente pra caralho. O sol pegava bem no meu teto. e nesta época meu escritório não tinha janelas, nem ar condicionado. O calor era tamanho que no quarto o blackout ( um plastico que a gente usa pra segurar o sol) derreteu!
Então coberturas e topos de edifício normalmente concentram muitas baratas. O calor deixa as baratas histéricas.
Mas eu era feliz. ( e sou.) Eu estava casado havia pouco tempo e aquilo ( aquela merda) era o que nós podíamos pagar.
Um dia, ou melhor uma madrugada, fez tamanho calor que eu não aguentei. Resolvi ir até a cozinha beber água.
Quando eu cheguei na cozinha e acendi a luz:

PÂ! Tinha uma porra duma baratona enorme bem no meio da cozinha. No meião. Sem nenhum lugar pra esconder. Eu vi que a barata parou por um segundo.
De uma hora para outra, a barata deu um pulo pra trás e parou.
Morreu.
- Caralho! - Pensei eu. Será que eu havia virado um Jedi? Meus poderes mentais haviam se aperfeiçoado ao ponto de matar uma barata sem nem ao menos pegar num chinelo?
Eu não acreditava no que meus olhos viam. A barata ficou durinha. Parecia infarto.
- Será que barata enfarta? - Pensei com meus botões.
Fui até ela. Abaixei olhei pra ela. Paradinha. Nem com a minha aproximação sísmica ( bati forte os pés no chão) ela se moveu. Eu fiquei ali uns três segundos olhando pra ela. Um cadáver. Peguei um palito de fósforo e toquei na antena dela. ( com um certo cagaço, eu assumo)
Mas nada aconteceu. Ela estava catatônicamente morta.
Peguei uma vassoura. Joguei ela como se fosse uma bola de hókei pela cozinha. Nada. Nem um movimento sequer.
Aí eu me convenci. A porra da barata havia morrido do coração.
Peguei a barata pela antena, fui até a janela e joguei pro alto.
Na luz da cozinha eu vi o cadáver da barata ganhar vida em pleno ar e sair voando.
- Filha da puta! - Pensei eu.
Um mamífero, vertebrado, adulto. Com um cérebro centenas de vezes mais potente que o dela fui ludibriado com tamanha facilidade por aquela atuação cínica. Bebi minha água e fui dormir convicto que havia descoberto a mistura do einstein com o Jack Nicholson das baratas.

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