ERRO DE PORTUGUÊS PREJUDICA CARREIRA
Igor Giannasi, ESPECIAL PARA O ESTADO(E-mail by Vá!!)
Maltratar a língua portuguesa causa má impressão e pode prejudicar uma carreira em ascensão. Ou até impedir o começo dela. Seja com erros ao expor uma estratégia de negócios ao chefe; ao redigir um e-mail para um cliente importante, ou com vícios de linguagem, como terminar as frases com expressões como “tá”, “né” e “meu”.“As empresas avaliam a comunicação como um todo. É uma competência bastante considerada quando se pensa em promover alguém”, avalia a consultora de carreiras Vera Vasconcellos, da Career Center.A dificuldade de se expressar corretamente não atinge apenas profissionais mais jovens e menos qualificados, segundo Vera. “Não é difícil ver executivos muito competentes, do ponto de vista técnico, que cometem erros graves.”
COMUNICAÇÃO CLARA
“O mundo é muito veloz e a informação deve fluir de forma clara”, diz a sócia-diretora da Praxis Soluções Educacionais, Fabiana Bechara. Nos trabalhos de consultoria que presta a empresas, a melhora na comunicação aparece como necessidade em 80% dos casos. Para Fabiana, erros de português na comunicação verbal ou escrita depõem contra a imagem do funcionário. “Não é uma postura profissional.”Erros não são muito comuns nos currículos, pois os candidatos costumam passar corretor ortográfico ou pedir para alguém revisar o texto. As falhas aparecem mesmo na hora da entrevista. Os jovens são mais prejudicados: como usam mais gírias ao falar, passam a impressão de falta de cuidado e descaso. “Quem se expressa bem e usa um bom vocabulário é visto com outros olhos”, diz a gerente de Produto Efetivo da Gelre, Sidnéia Palhares.Universitários, formados e até pós-graduandos com dificuldade de se comunicar adequadamente são recorrentes no dia-a-dia de Patrícia Nery, coordenadora de Recursos Humanos da agência Adecco. “Eles são excluídos da seleção para uma vaga em que a fluência verbal é importante.” As empresas dão prioridade a estudantes de faculdades de primeira linha, mais exigentes na formação.
RECICLAGEM CORPORATIVA
Melhorar o português tem sido o foco de cursos de reciclagem contratados por empresas. Na distribuidora de rolamentos industriais Trevotek, todos os empregados do setor de estoque, com exceção dos motoristas, fizeram curso de português e redação empresarial. “Antes eu escrevia o e-mail e já enviava de uma vez”, conta o gerente, João Rodrigo de Souza, que mudou o hábito. “Ser cuidadoso acaba abrindo novas oportunidades”, acrescenta o auxiliar de estoque Iran Gonzaga, que agora presta mais atenção no que fala e no que escreve em relatórios. Está lendo mais. No momento, diverte-se com Dom Casmurro, de Machado de Assis, indicado pela professora.INICIATIVA PRÓPRIA
Para o profissional que deseja se aprimorar por conta própria, a melhor receita é ler bastante, principalmente sobre assuntos fora de sua área. “A leitura técnica consolida o conhecimento técnico, mas não amplia a visão de mundo”, diz o coordenador do Centro de Desenvolvimento e Liderança da Business School São Paulo, Humberto Mariotti. “Se você não lê, não tem vocabulário e não consegue se expressar bem para audiências diferenciadas.”
domingo, 11 de março de 2007
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